julho 29, 2004
Intervenção na Apresentação da Candidatura
Manuel Alegre
Apresentação da candidatura a Secretário Geral do Partido Socialista
Lisboa, 29 de Julho de 2004
Cada um tem as suas referências. Quero evocar neste momento algumas pessoas que já partiram mas que de certo modo estão aqui comigo: Sophia e Torga, pela poesia; Piteira Santos, pelo exílio e pela resistência, Tito Morais, pelo PS; Salgueiro Maia e Melo Antunes, pelo 25 de Abril. Uma saudação de profundo respeito e amizade a Fernando Valle, que é a minha principal referência cívica.
Cumprimento as candidaturas de João Soares e José Sócrates, convicto de que, para além das divergências que vamos debater, o nosso objectivo comum é derrotar o governo da direita.
Candidato-me por Portugal, país pioneiro do espírito europeu, que deve estar na vanguarda da construção da Europa, fiel ao legado que lhe foi deixado pela História: o de ter sido uma nação-piloto, ponte entre o velho mundo e o novo e que, por isso mesmo, entre os países de semelhante dimensão geográfica, pode ser hoje um actor global.
Candidato-me pela democracia, cuja qualidade foi degradada pela coligação chefiada por Durão Barroso e corre o risco de sê-lo ainda mais com o novo governo populista de direita. Portugal caiu três lugares no índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas. Estes são os números que contam. Traduzem uma regressão na saúde, na educação, na criação de riqueza e, sobretudo, na sua distribuição. Portugal é hoje um país mais injusto, onde as lojas de luxo florescem, mas em que a maioria dos portugueses vive cada vez com mais dificuldades.
Candidato-me por um novo idealismo democrático, baseado na síntese entre a liberdade e a justiça social, garantindo a autonomia individual mas reservando ao Estado um papel de arbitragem na procura da solidariedade e dos valores da igualdade.
Candidato-me por uma política de paz e de independência nacional, no quadro da nossa integração europeia e dos nossos princípios constitucionais. O 25 de Abril reconciliou Portugal com o mundo. Portugal não tem força económica nem militar. Mas tem força histórica, moral e cultural. Foi esse o capital que Durão Barroso desbaratou quando, subvertendo o consenso sobre a política externa portuguesa, optou por uma posição de colagem seguidista na guerra do Iraque decidida unilateralmente pela Administração Bush.
Comigo como Secretário Geral o Partido Socialista bater-se-á para que Portugal tenha um papel na Europa e no mundo de acordo com a sua História e a sua potência linguística e não apenas limitado ao seu peso demográfico.
Candidato-me pela igual liberdade de homens e mulheres. Porque não considero “natural” que as diferenças biológicas de sexo determinem obrigatoriamente desigualdades entre homens e mulheres. Como se tivéssemos a obrigação de continuar a desempenhar papeis sociais fixos e diferenciados porque nascemos homens ou porque nascemos mulheres. Candidato-me para defender a igualdade de homens e mulheres como uma prioridade da organização social inerente ao socialismo democrático. Uma prioridade no discurso político. Uma prioridade na prática interna. Uma prioridade do PS e no PS, uma prioridade no programa e acção do futuro governo socialista.
Portugal foi durante séculos um cais de embarque, mas hoje é também um porto de abrigo, onde se misturam povos e culturas. Passou a ser um país de imigração e não apenas de emigração.
Candidato-me para valorizar a nossa diversidade étnica, cultural, nacional e espiritual, transformando-a numa oportunidade de desenvolvimento. Candidato-me em defesa de uma sociedade cosmopolita, que saiba conjugar diversidade e cidadania, o mútuo reconhecimento da dignidade individual com a cooperação e a solidariedade, prevenindo a segmentação social e a discriminação racial.
Comigo como Secretário Geral, o PS será um protagonista activo da criação de uma sociedade inclusiva e cosmopolita. Para isso, precisa de ter mais jovens, mais mulheres, mais imigrantes e emigrantes, não só como militantes, mas também participando equitativamente em todos os níveis de responsabilidade.
Candidato-me pelo socialismo, cuja palavra não tenho medo nem vergonha de dizer e cujo conceito moderno não confundo nem com as fracassadas experiências totalitárias do comunismo soviético e seus derivados, nem com a incapacidade revelada pelas recentes experiências de governos socialistas na Europa para inverterem a lógica neo-liberal dominante e criarem soluções políticas alternativas.
Candidato-me pelo Partido Socialista, por extenso, com o objectivo de contribuir para a dignificação do Congresso, para a abertura do partido por dentro e para fora e para um debate de ideias que torne claro qual o projecto do PS para a sociedade portuguesa. Candidato-me para retomar o espírito dos Estados Gerais, não apenas como um ritual que se esgota em si mesmo, mas como um processo permanente de relacionamento do partido com a sociedade.
Candidato-me para que a democracia não se resuma ao funcionamento da alternância e para que seja possível construir uma verdadeira alternativa de esquerda à coligação de direita. Para que quem vota socialista saiba que vota pela mudança e por um governo diferente dos governos de direita, não apenas no estilo, mas no conteúdo das suas políticas.
Não há maior frustração do que votar pela mudança e constatar que tudo, afinal, fica mais ou menos na mesma. É isso o que leva ao desinteresse pela política.
Candidato-me contra a falta de perspectiva e de esperança, procurando contribuir, com o meu modesto esforço, para a recuperação da confiança dos cidadãos no poder do seu voto.
Candidato-me pela modernização do projecto socialista, pela modernização da democracia, pela modernização do PS e pela modernização do país. Há aliás um grande equívoco à volta da ideia de modernidade, que é essencialmente um tema do século XVIII. O que importa é sermos contemporâneos do nosso tempo, porque só assim seremos fundadores do futuro.
O sistema capitalista está num processo de mutação. Mudou a relação com o tempo e o lugar, mudou a própria percepção da realidade. Onde outrora havia concentração, hoje há deslocalização, fragmentação, desestruturação da própria sociedade.
A globalização tomou a forma de uma ditadura dos mercados financeiros, acelerou a deslocalização do capital, destruiu culturas, regiões, empregos e está a transformar-se numa colossal ofensiva contra as conquistas sociais e contra o próprio Estado Nação. Mais do que ao triunfo do mercado conduziu ao fundamentalismo do mercado. O que impõe a necessidade de um novo paradigma de contrato social, não só em cada Estado, mas também entre Estados.
A globalização acentuou a necessidade de uma acção colectiva global, bem como a importância dos bens públicos globais. Regular a globalização passa não só pela mudança de estruturas institucionais, mas também por mudanças de mentalidade, tendo em vista um outro desenvolvimento à escala nacional e planetária.
O capitalismo mudou. O socialismo também tem de mudar. Em que sentido? Essa é a grande questão. Eu penso que não é no sentido da sua diluição nem da capitulação perante o neoliberalismo dominante, mas no sentido da conjugação do rigor económico e financeiro com a consolidação dos serviços públicos e das políticas sociais, que constituem a essência do socialismo democrático.
A modernidade não está na chamada terceira via. A terceira via é já passado. A modernidade passa por um novo contrato social. Por instrumentos eficazes de regulação da economia de mercado. Mas também por um Estado estratega, cuja função não se reduz ao papel de árbitro, mas de regulador dos mercados e promotor dos serviços de interesse geral. Defendemos um modelo geral de desenvolvimento económico e social sustentável, que potencie as opções nacionais em matéria de valorização do território e defesa do ambiente, integração internacional e padrão de especialização produtiva, valorização das pessoas e coesão social. Ao Estado estratega caberá suprir as falhas do mercado e estimular áreas ou sectores qualificantes. Para desempenhar essa função, o Estado precisa de manter nas suas mãos instrumentos eficazes, como, por exemplo, a Caixa Geral de Depósitos. Mas precisa também de mudar o que faz mudar. E o que é que faz mudar? É a cultura, a educação, a qualificação das pessoas, a capacidade de valorizar e potenciar os nossos recursos territoriais, patrimoniais, ambientais, culturais, científicos e tecnológicos.
Nesta visão do papel do Estado e do modelo de desenvolvimento para Portugal, os serviços públicos têm um papel fundamental. Não aceitamos o ataque sistemático ao papel e presença do Estado, nem a perversão da ética republicana de austeridade e serviço público.
Não aceitamos que o Serviço Nacional de Saúde, património valioso do PS, seja progressivamente desmantelado, numa lógica implacável em nome da priorização dos resultados financeiros com detrimento dos resultados de saúde. As consequências desta política estão à vista: a despesa aumentou e a relação dos portugueses com o sistema de saúde piorou.
Sabemos que o Serviço Nacional de Saúde nunca foi, desde a sua criação, o único prestador de cuidados. Mas compete-lhe um papel estratégico enquanto garante de que ele próprio, mais o sector social e o sector privado, contratualizam e garantem a universalidade, a continuidade, a igualdade, a acessibilidade, a qualidade e a segurança das prestações, actuando no sentido de que a saúde dos portugueses melhore progressivamente por forma a atingir os níveis dos países mais avançados do mundo.
Não aceitamos a transformação da segurança social numa segurança social pública de segunda para pobres e noutra privada, de luxo, para ricos.
Não aceitamos o desinvestimento na educação e na inovação, nem a falta de respeito pelos direitos das pessoas em favor das prerrogativas dos poderes fácticos.
Não aceitamos o desequilíbrio sistemático das leis laborais em desfavor dos trabalhadores, nem a perpetuação de qualquer tipo de desigualdades baseadas no sexo, na condição social ou etária ou na origem regional.
Não aceitamos a multiplicação de poderes burocráticos contra os poderes democráticos, nem a falta de transparência, a promiscuidade e o negocismo que contaminam as estruturas do Estado.
Por onde passa então a modernização?
- pela afirmação da autonomia de Portugal e do Estado no contexto mundial e europeu, sem subserviências nem complexos;
- pela renovação do modelo social europeu, alargado aos temas da segurança urbana, do direito à convivência multicultural e do acesso à protecção dos mais fracos em todas as circunstâncias;
- pela afirmação do papel do Estado enquanto regulador da economia e promotor activo das políticas públicas;
- pela independência do poder político e do poder mediático em relação aos poderes económicos;
- pela cidadania social e pela defesa dos direitos sociais como inseparáveis dos direitos políticos, nomeadamente em matéria de saúde, segurança social e educação;
- pela reposição do equilíbrio e justiça, na legislação laboral;
- pela construção de propostas de desenvolvimento sustentável para Portugal que apostem nos nossos recursos naturais, ambientais, patrimoniais e humanos
- pela defesa e prática de uma cidadania activa, capaz de se afirmar no espaço dos partidos e fora deles
O crescimento da economia é uma condição necessária do desenvolvimento e do bem-estar. Não se consegue distribuir riqueza se não se criar riqueza. As políticas de esquerda, com a sua característica ênfase na justiça social, devem ser também, por isso, políticas de crescimento económico e de produção de riqueza.
Mas não vemos o crescimento da economia separado do crescimento do emprego. Nem a produção económica separada da coesão social. A abordagem que nos distingue é aquela que baseia o crescimento e a competitividade na qualificação das pessoas e das organizações, na incorporação de informação e conhecimento, na inovação tecnológica, na promoção do emprego e nos direitos sociais. É aí que está a nossa diferença, sem recuo, face ao neo-liberalismo: não aceitamos colocar os direitos sociais e o bem-estar entre parênteses, ou como uma variável secundária do crescimento.
Fala-se muito em renovação. Mas a renovação não é uma questão de nomes nem de gerações, a renovação é uma questão de método, de valores, a renovação é intergeracional, paritária, faz-se com homens e mulheres, com jovens e idosos e, sobretudo, com ideias, com causas, com projectos.
A tentação centrista é um arcaísmo e um mito que leva à diluição e descaracterização do socialismo democrático e à degenerescência da democracia num neo-rotativismo entre dois partidos cada vez mais parecidos e dependentes do bloco central dos interesses. A renovação da democracia e a modernização do país exigem alternativas claras. O centro vai sempre atrás das dinâmicas de vitória. E um partido socialista só cria uma dinâmica de vitória quando é capaz de unir e mobilizar os seus. E os seus são os trabalhadores, os jovens, os reformados, os desfavorecidos, as classes médias cada vez mais empobrecidas, são todos os portugueses e portuguesas que sofrem a crise económica e social provocada pelas políticas de direita.
O PS não deve fazer coligações pré-eleitorais. Deve apresentar-se às eleições sozinho, com as suas cores e o seu programa. E deve lutar por uma maioria absoluta. Contudo, se conseguir uma maioria relativa, deve assumir a responsabilidade de criar condições estáveis de governabilidade. E deve fazê-lo negociando com as outras forças parlamentares de esquerda. A estabilidade não é um privilégio da direita, a estabilidade também pode construir-se à esquerda.
Finalmente, o Partido Socialista:
Queremos um partido aberto aos sinais e exigências do tempo, empenhado na construção de uma modernidade que incorpore os avanços da ciência e das tecnologias ao serviço das pessoas; não queremos um partido subordinado ao pseudo modernismo das modas bem pensantes, em particular daquelas que se submetem à frivolidade dos gostos frequentemente impostos por campanhas condicionadoras da opinião.
Queremos um partido genuinamente democrático e plural nas suas possibilidades de participação; não queremos um partido onde em nome de falsos consensos se instale o vazio das ideias.
Queremos um partido mobilizador de consciências e vontades de mulheres e homens respeitados na sua dignidade e autonomia; não queremos um partido subordinado ao jogo táctico das facilidades e conveniências do momento.
Queremos um partido enformado pela ética republicana de serviço público; não queremos um partido promotor de processos de fidelização, favoritismo e clientelismo.
Queremos um partido não de um rosto mas com rostos; não queremos um partido dependente do poder ou de poderes personalizados.
A alternativa que se coloca aos militantes não é entre “políticas e políticos moderados” e hipotéticos “políticos ou políticas radicais”, como se de um lado estivessem as virtudes do compromisso e do outro os males do confronto.
A alternativa é entre uma cultura de partido inspirada por valores e princípios, mesmo quando as decisões possam implicar roturas com o situacionismo vigente, e o pragmatismo que tenta gerir o sistema sem nunca afectar os centros de interesses nele instalados.
É também por aqui, dentro do PS, que passa a modernização e a escolha entre vida nova e vida velha.
Esta não é uma candidatura de um só rosto, mas de uma equipa. Tenho muita honra em ter à minha volta muitas das principais figuras e referências do PS, com papel destacado na vida parlamentar, na vida democrática e na própria acção governativa. Mas honram-me também sobremaneira as manifestações de apoio que tenho recebido de muitos militantes, especialmente jovens, de todos os pontos do país. Alguns oferecem voluntariamente o seu tempo de férias para trabalhar na candidatura. Por convicção e por entusiasmo, sem nada querer em troca senão vida nova para o PS e para o país.
Este estado de espírito justifica por si só a apresentação da minha candidatura. Algo de novo começou a acontecer. Algo que já é diferente pelo simples facto de estarmos aqui sem aparelhos por detrás, sem interesses, sem lobies, sem nada mais do que a nossa convicção e a nossa militância.
A nossa candidatura surge numa situação de emergência. Não estava prevista nem preparada. Parte em situação de grande desvantagem em relação a uma candidatura que já há muito estava a ser organizada e conta com o apoio público de quase todas as estruturas do partido, num processo que todos devemos repensar, para evitar que a imagem pública do PS se confunda com outras pouco lisonjeiras.
Mas o simples anúncio desta candidatura despertou sinais de entusiasmo e esperança. Esta candidatura é também um teste para avaliar até que ponto há correspondência entre a opinião pública e a vida interna do PS. O que queremos dizer neste momento, sem alimentar falsas expectativas, é que há mais vida para além das estruturas dirigentes. Há milhares de militantes que nunca votaram dentro do PS. Ninguém é dono das suas consciências nem do seu voto. Os socialistas são homens e mulheres livres. E o PS, como se dizia nos grandes momentos, é o partido da liberdade, o partido sem medo.
Dirijo-me a todos os militantes, para que participem, para que se interroguem e nos interroguem, para que decidam livre e conscientemente. Repito: Ninguém é dono de ninguém. Nenhuma estrutura se pode substituir à consciência individual de cada militante.
Se nos dias 25 e 26 de Setembro os militantes acorrerem em massa às urnas nas suas secções, então sim, no momento do voto secreto, o partido estará verdadeiramente nas mãos dos militantes.
Se for possível ouvir o que pensam os cidadãos comuns, se for possível falar mais aos militantes do que às estruturas, então, sim, há esperança.
Se for possível discutir abertamente, sem complexos e sem hipocrisia, se for possível levar a todo o país e a todo o partido este debate, então, sim, há esperança.
Não vim para dividir, mas sim para clarificar e mobilizar. Mobilizar o PS, mobilizar os que querem participar e não sabem como, mobilizar os que estão descrentes, mobilizar todos aqueles e aquelas que são socialistas e sentem a urgência de construir o futuro.
Publicado por Manuel Alegre às 09:39 PM | Comentários (14)
julho 28, 2004
Quinta-feira, na sede nacional: Alegre apresentou candidatura
A apresentação da candidatura teve lugar às 18h! A sessão foi aberta e muitos compareceram, trazendo "outro amigo também!"...
O discurso será publicado dentro de minutos....
Publicado por Manuel Alegre às 05:46 PM
"JN:Alegre é candidato para PS manter matriz de Esquerda"
Manuel Alegre não queria, mas vai ser candidato a líder do PS. O anúncio do histórico socialista apoiado pela ala ferrista e de Esquerda do partido ocorreu ontem, duas horas antes de João Soares declarar na sede do partido que está na corrida pela liderança,para que "não descaracterizem o PS".
Os dois candidatos estão unidos nas críticas a José Sócrates. E se Alegre garante que vai até ao fim, João Soares não quer comentar a hipótese de desistir a favor do vice-presidente da Assembleia da República. Mas Henrique Neto, opositor de Ferro Rodrigues no congresso de 2002, já apelou à fusão das duas candidaturas, para que se crie uma "opção de sucesso" ao projecto protagonizado por Sócrates.
Acompanhado por Maria de Belém, Alegre disse nunca ter tido "esta ambição", mas esclareceu que, face à crise económica e social aberta pela demissão de Durão Barroso e de Ferro Rodrigues, entendeu ser "um imperativo político e cívico aceitar". E justificou não avançar "em nome do passado, mas do futuro, em que o que está em causa é a identidade e a natureza do PS, enquanto partido de Esquerda".
Numa sala do Parlamento, onde decorreu o anúncio - nu-ma grande sobriedade, que contrastou com o ambiente de festa vivido, depois, no jardim do Palácio do Rato, pelos apoiantes de João Soares -, Alegre afiançou que não vai desistir. "De maneira nenhuma.Quando me meto num combate é para ir até ao fim", assegurou.
Apenas candidato a líder
Também evidentes foram os ataques de Alegre à posição que José Sócrates tem assumido e aos apoios que tem declarado, ao afirmar que "não são os presidentes das federações que decidem quem será o secretário-geral".
Em resposta à intervenção do ex-governante na última reunião da Comissão Nacional, na qual disse estar em causa a escolha do primeiro-ministro do PS, Alegre disse que "um congresso não é um plesbicito de um primeiro-ministro". Garantiu que é candidato a líder e que será, como referem os estatutos, a Comissão Política a escolher o socialista melhor colocado para exercer essas funções.
Apoiado pela ala esquerda e pelo presidente honorário do PS, Fernando Valle, Alegre vai revelar quinta-feira, na sede do PS, as razões da candidatura. Ontem, adiantou que tenciona "mobilizar a alma popular e de Esquerda do PS, porque é o único caminho para derrotar a Direita instalada no Poder".
José Sócrates
Reclama-se da "Esquerda moderna" e é apoiado pela maioria dos presidentes das federações socialistas. José Lamego desistiu a seu favor. Conta com Jorge Coelho, Sérgio Sousa Pinto, António Costa, José Lello, Pina Moura e muitos dos ditos guterristas. Se ganhar, não deverá haver alternativa a Guterres para Belém.
João Soares
É o herdeiro do socialismo democrático. Usa o símbolo do punho e tem por lema: "Vamos a isto juntos". Tem no pai, Mário Soares, o seu maior apoio. Conta também com Dias da Cunha e com os amigos de sempre: Vítor Ramalho, Joaquim Rosa do Céu, Rui Cunha e Carlos Luís.
Manuel Alegre
Soarista desde sempre, é o arauto da "ética republicana e socialista" e agora o eleito da ala esquerda do partido e dos ex-colaboradores de Ferro Rodrigues. É apoiado por Alberto Martins, Medeiros Ferreira, Helena Roseta, Ana Benavente, Jorge Lacãoe Osvaldo Castro, entre outros.
MIGUEL FERNANDES/LUSA
Alexandra Marques
Publicado por Manuel Alegre às 05:38 PM | Comentários (1)
Uma análise do DN
Após o anúncio da candidatura, o DN publicou uma análise de MARIA HENRIQUE ESPADA (sob o título "Manuel Alegre é candidato a líder mas a primeiro-ministro ainda não"), do seguinte teor:
«Vou lutar para ganhar.» A frase, de Manuel Alegre, ontem, deixa a garantia de que será candidato no congresso socialista de Outubro e exclui a hipótese de desistir em qualquer circunstância. O agora candidato reforçaria essa intenção dizendo que «o combate é para ir até ao fim. Sempre». O deputado torna-se assim o terceiro candidato na corrida a secretário-geral do PS, apoiado quer pela ala esquerda do partido, quer por alguns dos dirigentes próximos de Ferro Rodrigues.
Alegre explicou o avanço, depois de há duas semanas ter excluído essa hipótese, dizendo que nunca teve «este projecto». «Não provoquei isto, mas nunca virei costas a um desafio.» Mais, é «um imperativo cívico e político aceitar a candidatura» que lhe foi proposta. Mesmo sendo, como afirmou, «um combate desigual», face ao avanço de outras candidaturas previamente posicionadas no terreno partidário. Porque enquanto o partido se preparava para um cenário de eleições no País, «havia quem se estivesse a preparar há muito tempo para eleições no PS», acusou Alegre. Não nomeou ninguém, mas o recado encaixa directamente em José Sócrates, cujos passos para a candidatura eram há meses evidentes nos bastidores. Ainda assim, Alegre ressalvou que os seus «adversários não estão no partido, mas na direita instalada no poder».
Mas também para Sócrates seguiu a mensagem de que a eleição do secretário-geral do PS não é «uma coroação, nem uma nomeação, mas uma eleição», e que quem a determina são os militantes, e «não os presidentes das federações», cujo apoio a candidatura do ex-ministro do Ambiente tem invocado. «Ninguém é dono de ninguém», afirmou, e «não há vencedores à partida». Alegre propôs-se «mobilizar a alma popular e a alma de esquerda do PS».
Na primeira intervenção pública de Manuel Alegre enquanto candidato, uma dúvida acabou por ficar: o poeta recusou afirmar-se candidato a primeiro-ministro, ao contrário do que já fez implicitamente José Sócrates. Já Alegre afirmou que é apenas «candidato a secretário-geral do PS». Quanto ao candidato a primeiro-ministro a apresentar pelo partido, a sua escolha é uma competência, disse Alegre, «da comissão política» que sair do congresso: «Quer seja eu quer seja outro camarada.»
A candidatura de Manuel Alegre, ontem anunciada por Maria de Belém, a seu lado na Assembleia da República, apenas será formalmente apresentada na próxima quinta-feira, no Largo do Rato, à semelhança do que aconteceu com as restantes candidaturas. Os princípios da moção que defenderá serão também nessa altura tornados públicos. Mas o título é já conhecido: «Mais igualdade, melhor democracia.» Belém anunciou também uma primeira lista de apoiantes de Manuel Alegre, em que se contam socialistas como Helena Roseta, Vera Jardim, Alberto Martins, Medeiros Ferreira, Osvaldo Castro, Jorge Strecht, Jorge Lacão ou Maria Santos, que integram ou estão próximos da chamada ala esquerda. Mas também elementos próximos de Ferro Rodrigues subscrevem o documento de apoio a Alegre. Estão neste caso Ana Benavente, Augusto Santos Silva, Ana Catarina Mendes, João Pedroso ou Mark Kirkby. E históricos como Fernando Valle, Edmundo Pedro ou Carolina Tito de Morais. E dirigentes menos «classificáveis» nestes dois grupos, como José Magalhães.
A candidatura de Alegre vem disputar, quer pelo protagonista, quer pelos apoios que recolhe, quer ainda pelos princípios que a moção deverá consagrar, o espaço mais à esquerda no PS, que não se revê em Sócrates. E vem também dividir um espaço onde o próprio João Soares esperava poder recolher alguns apoios.
Publicado por Manuel Alegre às 05:33 PM | Comentários (2)
julho 26, 2004
Notícias de Coimbra
O Diário de Coimbra publicou no dia 26 de Julho a seguinte análise, sob o título "Co-incineração agita socialistas de Coimbra":
Apoio da concelhia de Coimbra do PS à candidatura de José Sócrates e, porventura, à co-incineração na cimenteira de Souselas é, para alguns militantes, uma reviravolta inaceitável
«Se tinha alguma dúvida, a partir deste momento, estou sem qualquer tipo de dúvida. Posso dizer, agora, que vou apoiar a candidatura do meu camarada Manuel Alegre [à liderança do PS]», reagiu ontem João Silva às declarações proferidas, sábado, pelo presidente da concelhia de Coimbra do PS.
Luís Vilar confirmou então o seu apoio à candidatura de José Sócrates a secretário-geral do partido e adiantou que, se este vier a ser primeiro-ministro de Portugal e preconizar a queima de resíduos industriais em cimenteiras, terá o seu apoio. Mas na condição de este método de eliminação resíduos ser implementado em todas fábricas de cimento do país, ressalvou PS (ver edição de ontem do Diário de Coimbra).
Depois destas declarações, a reacção de vários socialistas que se envolveram na luta contra a co-incineração evidenciam que, apesar da garantia de Vilar de que o PS/Coimbra apoia massivamente Sócrates, existe uma facção do partido que não esqueceu nem perdoa a determinação deste ex-ministro do Ambiente na defesa da queima de resíduos perigosos em Souselas.
«Por aquilo que está a acontecer, vou sem dúvida apoiar a coerência e a coragem de Manuel Alegre», insistiu João Silva, ex- -vereador e companheiro de Vilar na câmara, para quem perdeu, depois, a disputa pela presidência da comissão concelhia socialista.
Fausto Correia desmentiu que seja apoiante da candidatura de Manuel Alegre: «Não apoio nenhuma candidatura». Contudo, recusando fazer comentários directos às declarações de Vilar, afirmou que continua a opor-se à co-incineração em Souselas, mantendo assim a posição que assumiu enquanto deputado à Assembleia da República e presidente da Federação Distrital de Coimbra do PS. «Não mudei uma vírgula», assegurou Fausto Correia.
Teresa Portugal, irmã de Manuel Alegre que se assumiu contra a co-incineração quando era vereadora do PS, contestou abertamente a posição veiculada anteontem por Vilar. «Há pessoas que perdem a memória com uma grande velocidade. E é aí que os militantes se distinguem: uns respeitam os compromissos, outros traem-nos à primeira oportunidade», acusou. Do seu ponto de vista, com este tipo de pessoas, «a política transforma-se num processo de grande desonestidade».
Teresa Portugal desvalorizou ainda as declarações de Vilar segundo as quais o 22 das 26 secções da concelhia socialista de Coimbra estão com Sócrates. «As estruturas do PS são uma coisa; outra coisa são os militantes», disse Teresa Portugal, que participara, antes do anúncio da candidatura de Manuel Alegre, numa reunião em Coimbra de dezenas de militantes da ala esquerda do PS e próximos da direcção cessante de Ferro Rodrigues.
O candidato Manuel Alegre salientou também que, pela primeira vez na história do PS, o secretário-geral vai ser eleito por voto directo dos militantes: «Ninguém é dono da consciência de ninguém. O voto é secreto, e os militantes são livres de escolher», frisou.
O método de eleição directa pode, de facto, relativizar o apoio a Sócrates que Vilar e o presidente da distrital do PS, Victor Baptista (que o Diário de Coimbra tentou, sem êxito, ouvir), dizem contabilizar nestas estruturas. Não deixa de ser significativo, por exemplo, que o secretário coordenador da secção de Souselas do PS, João Pedro Parente, tenha confirmado ontem o seu apoio a Sócrates, mas admitido que os cerca de 70 militantes da estrutura ainda não se reuniram para debater o assunto.
Nelson Morais
Publicado por Manuel Alegre às 05:43 PM | Comentários (1)
julho 25, 2004
ALmeida Santos: "PS obterá maioria absoluta pela primeira vez"
Notícia da LUSA publicada no website da RTP no dia 25:
O presidente do PS, Almeida Santos, manifestou-se hoje convicto de que o Partido obterá, pela primeira vez, a maioria absoluta, nas próximas eleições legislativas, e acusou o actual Governo de proteger os ricos em prejuízo dos pobres.
"Acredito que nas legislativas o PS talvez tenha a maioria absoluta, pela primeira vez", disse, durante as comemorações do "Dia da Federação" do PS de Coimbra, em Arganil, com a participação do presidente honorário do Partido, Fernando Valle, que na próxima semana completa 104 anos de vida.
António Almeida Santos sustentou que os governos socialistas só podem ser comparados com os formados pelo PSD quando o PS obtiver maioria absoluta.
"Quisemos aprovar muitos projectos que a maioria da direita com alguns da esquerda chumbou contra nós, e não pudemos impor a nossa vontade", sublinhou.
Sobre os próximos combates, Almeida Santos afirmou que o PS "irá ganhar (as eleições regionais) nos Açores e melhorar o `score` na Madeira", onde "não tem mais ambições do que isso".
Depois, Almeida Santos apontou baterias para o Governo de Santana Lopes, acusando-o de "querer reduzir os custos o mais que puder cortando aos pobres".
"Um governo que vive para dar continuidade a um governo anterior, com um programa de protecção aos que têm muito e de sacrifícios dos que têm menos", disse, considerando que "a grande fortuna em Portugal coincide com a grande miséria".
Sobre a vivência interna do Partido, com a liderança a ser disputada por três candidatos, Almeida Santos disse à Agência Lusa que a sua "preocupação é garantir a igualdade de condições a todas as candidaturas e que irá dar instruções nesse sentido".
"O presidente do Partido é o garante da unidade e dos estatutos, estou condenado a não ter candidato", afirmou, quando questionado sobre qual dos candidatos apoiará.
Confrontado com o recente episódio que envolveu o candidato Manuel Alegre e levou à demissão de Jorge Coelho de coordenador das autárquicas, Almeida Santos admitiu que se estivesse no lugar de Jorge Coelho teria tomado a mesma atitude.
"Não é a primeira vez que Jorge Coelho toma uma atitude coerente com os seus valores. No lugar dele seria capaz de fazer o mesmo", disse.
Para Almeida Santos, atitudes como as de Jorge Coelho "só provam que o PS é um partido de valores e de atitude, que não está agarrado ao poder".
"Que se batam com a dignidade a que nos habituaram os candidatos do partido e que no dia seguinte às eleições sejam tão irmãos como antes" é o conselho de Almeida Santos a Manuel Alegre, João Soares e José Sócrates.
Sócrates é o candidato apoiado pela concelhia de Coimbra, não obstante Manuel Alegre ser o candidato mais identificado com a "cidade dos estudantes".
Alegre não foi convidado para as comemorações do "Dia da Federação" porque, disse à Lusa o presidente-adjunto do órgão, Horácio Antunes, o encontro foi para os "inscritos na Federação" e "não houve convites especiais", até porque "não convinha um convite que pudesse ferir susceptibilidades".
O dirigente do PS/Coimbra admitiu que Sócrates "encarna em si todos os ideais e capacidades" necessárias ao líder de que o Partido precisa.
Mais cauteloso, o eurodeputado e ex-líder da Federação do PS/Coimbra, Fausto Correia, declarou à Lusa a sua "posição de neutralidade, de rigorosa equidistância" perante os candidatos.
"Só no dia das eleições, pelo voto, se avaliará com exactidão o que cada candidato vale ou não vale", disse.
Sobre o episódio Manuel Alegre/Jorge Coelho, Fausto Correia considerou o "assunto encerrado" com as explicações de Manuel Alegre sobre o sentido das suas declarações.
Durante o comício, Fernando Valle foi retratado por Almeida Santos como "a definição do socialismo democrático" e "a máxima referência política, ética e cívica de sempre" que já teve.
Apesar dos quase 104 anos de vida e do forte calor que se fazia sentir no Monte Alto, onde decorreram as intervenções, Fernando Valle subiu à tribuna para se dirigir aos camaradas socialistas, a quem transmitiu palavras de esperança e alegria, e votos da "maior saúde".
Agência LUSA
2004-07-25 17:30:00
Publicado por Manuel Alegre às 05:41 PM
julho 22, 2004
O que disse o Expresso online
Eis a candidatura na versão noticiosa do Expresso online de dia 22:
Ala esquerda e a liderança do PS
Manuel Alegre candidato
O dirigente socialista, Manuel Alegre, aceitou hoje candidatar-se a secretário-geral do PS. «É um imperativo ético e político aceitar a candidatura», disse o deputado socialista Manuel Alegre aos jornalistas na Assembleia da República.
Manuel Alegre que irá apresentar ao congresso do PS de 24 a 25 de Setembro a moção «Mais igualdade melhor democracia», afirmou na conferência de imprensa, que a sua candidatura «não é em nome do passado no PS, mas em nome da identidade do PS. Está em causa a natureza do PS enquanto partido de esquerda».
No entanto, o dirigente socialista disse ter consciência que «parte em condições desiguais».
«Vamos lutar contra o tempo. Pelos vistos, havia quem já estivesse a preparar-se há muito tempo para eleições no PS», comentou, numa referência indirecta a José Sócrates, embora sem nunca referir o nome do ex-ministro do Ambiente de António Guterres.
O vice-presidente da Assembleia da República, recusou-se a responder se será também candidato a primeiro-ministro caso seja eleito secretário-geral dos socialistas.
José Ventura/EXPRESSO
«Os estatutos do PS dizem que no congresso só está em causa a escolha do secretário-geral do partido», afirmou, demarcando-se assim de José Sócrates, que segunda-feira passada, na reunião da Comissão Nacional dos socialistas, declarou que os militantes do PS irão escolher no congresso o candidato a primeiro-ministro.
Manuel Alegre pretendeu ainda rebater a ideia de que será quase inevitável a eleição de José Sócrates para o cargo de secretário- geral do PS.
«O congresso do PS não será uma coroação de alguém ou um plebiscito. O secretário-geral é eleito livremente por todos os militantes do partido», sublinhou, antes de também desvalorizar o apoio da maioria dos presidentes das federações do partido à candidatura de José Sócrates.
«Não são os presidente da federação, nem nenhum intermediário, que escolherá o futuro secretário-geral do PS», avisou, depois de dizer que não tem «adversários» dentro do partido.
«Os meus adversários são a direita política e, sobretudo, a direita dos interesses. Para derrotar a direita, quero mobilizar a alma popular e a alma de esquerda do PS», referiu ainda Manuel Alegre que saudou a candidatura do ex-presidente da Câmara de Lisboa João Soares.
No final da conferência de imprensa, Maria de Belém anunciou que a candidatura de Manuel Alegre será formalmente apresentada na próxima quinta-feira, durante uma sessão que decorrerá na sede nacional do partido.
Tanto Manuel Alegre como João Soares têm os seus apoios na ala esquerda do partido e a concretizarem-se ambas as candidaturas irão disputar o cargo com José Sócrates.
Manuel Alegre é actualmente vice-presidente da Assembleia da República e um dos principais elementos do clube de política «Liberdade e Cidadania».
A sua candidatura é apoiada por Alberto Martins, Helena Roseta, João Cravinho e Medeiros Ferrreira. Reúne ainda apoios do grupo próximo do secretário-geral demissionário, Ferro Rodrigues, ao qual pertencem de Vieira da Silva, Vera Jardim, Maria de Belém, Ana Gomes, Paulo Pedroso e Ana Catarina Mendes.
16:46 22 Julho 2004
Publicado por Manuel Alegre às 05:30 PM | Comentários (1)
A candidatura vista pelo Público
Na "última hora" (sob o título "Combate a três com José Sócrates e João Soares/Manuel Alegre é candidato a secretário-geral do PS") foi assim relatado o anúncio da disponibilidade de Manuel Alegre para ser candidato:
O dirigente socialista Manuel Alegre apresentou hoje a sua candidatura ao cargo de secretário-geral do PS, ao qual vai concorrer contra José Sócrates e João Soares.
Com o lema de candidatura "Mais igualdade, melhor democracia", Manuel Alegre disse hoje que entra na corrida à liderança do partido numa altura em que se vive uma "crise política, social e económica no país" e uma crise no partido socialista na sequência da demissão de Ferro Rodrigues.
"Sinto-me muito honrado com a confiança que as pessoas depositaram em mim e dos sinais que recebi de muitas pessoas que depositam confiança em mim" para promover um debate de ideias no partido, frisou o vice-presidente da Assembleia da República.
"Eu não provoquei isto. Foram os acontecimentos que vieram ter comigo", esclareceu o deputado socialista, que reconheceu que entra num "combate desigual", numa referência aos outros dois candidatos, José Sócrates e João Soares.
A sua candidatura pretende promover o debate de ideias no partido, clarificar as posições de cada um sobre a estratégia do partido e o seu envolvimento na sociedade civil.
"Entro na corrida pelo debate de ideias, para clarificação, para que se saiba qual o projecto do PS para o país", sublinhou Manuel Alegre, que é um dos principais elementos do clube de política Liberdade e Cidadania, conotado com a ala esquerda do PS.
Aproveitando o momento para enviar recados aos outros dois candidatos, Alegre lembrou que o secretário-geral ainda não foi eleito: "São os militantes do PS que livremente vão decidir e escolher". Acrescentando que os seus adversários "não estão dentro do partido", o dirigente socialista apontou baterias para a direita - "a direita política, a direita dos interesses".
"Quero mobilizar a alma esquerda do partido e combater a direita que está instalada no poder", apelou Manuel Alegre, que se apresentou ladeado por Maria de Belém.
A antiga ministra da Saúde foi a primeira a falar, para apresentar a candidatura de Manuel Alegre, tendo depois enumerado os argumentos da candidatura do "camarada Manuel Alegre", sublinhando que "é uma lista que cobre vários pontos do país. É uma lista de homens e mulheres livres. (...) São militantes do PS que querem participar num debate de ideias e a candidatura de Manuel Alegre é aquela que melhor" preenche os desejos destes militantes.
Além dos elementos da ala esquerda do PS - onde pontificam Alberto Martins, Helena Roseta, João Cravinho e Medeiros Ferreira -, a candidatura de Alegre será apoiada pelo grupo próximo do secretário-geral demissionário, Ferro Rodrigues. Deste grupo fazem parte Vieira da Silva, Vera Jardim, Maria de Belém, Ana Gomes, Paulo Pedroso e Ana Catarina Mendes.
Publicado por Manuel Alegre às 05:23 PM
a notícia da RTP
O PS passou hoje a contar com três candidatos a secretário-geral, com a candidatura surpresa de Manuel Alegre e a formalização da de João Soares, que irão disputar a liderança do partido com José Sócrates.
Cerca de uma hora antes de João Soares formalizar a sua candidatura na sede do partido, no Largo do Rato, Manuel Alegre anunciou, na Assembleia da República, que também está na corrida à sucessão de Eduardo Ferro Rodrigues na liderança do PS.
"Não vou desistir" para qualquer outro candidato (João Soares ou José Sócrates), sublinhou o dirigente "histórico" do PS durante uma conferência de imprensa no Parlamento, ao lado da deputada e ex- ministra da Saúde Maria de Belém Roseira.
"Quando me meto num combate é para ir até ao fim", garantiu o deputado-poeta e um dos rostos mais emblemáticos da ala esquerda do PS, que, aos 68 anos, avançou para uma corrida que sempre recusou: a liderança do partido.
"A minha candidatura não é em nome do passado no PS, mas em nome da identidade do PS. Está em causa a natureza do PS enquanto partido de esquerda", declarou.
Manuel Alegre disse ter consciência de que parte para "um combate desigual", porque "havia quem já estivesse a preparar-se há muito tempo para eleições no PS", numa referência indirecta a José Sócrates.
"A minha candidatura é um imperativo ético e cívico", sublinhou o actual vice-presidente da Assembleia da República, que se escusou a esclarecer se será também candidato a primeiro-ministro nas legislativas de 2006 se for eleito secretário-geral do PS.
Pouco depois, João Soares, 54 anos, formalizou a sua candidatura a secretário-geral do PS, que já tinha anunciado em Março, afirmando que entra na corrida à liderança por temer que o partido seja "descaracterizado" como uma força política socialista e "dominado por uma mão invisível".
"Na minha campanha usarei sempre o punho, a mão do PS, para que não haja dúvidas. Não quero o nosso partido dominado por uma mão invisível", afirmou, sem especificar a quem estava a dirigir a sua advertência.
Com o pai Mário Soares ao lado, o ex-presidente da Câmara de Lisboa e deputado à Assembleia da República apresentou-se como um político "à esquerda" no espaço do "socialismo democrático".
"Vejo o PS como uma força de esquerda, com um discurso sem ambiguidades e sem concessões. Quero discutir ideias e políticas e espero ser avaliado pelos militantes por esses critérios", avisou João Soares.
José Sócrates - que apresentou a sua candidatura há precisamente uma semana, também na sede do partido - afirmou hoje que se for eleito secretário-geral do partido recusará coligações pré- eleitorais com outras forças de esquerda e lutará por obter maioria absoluta nas legislativas de 2006.
"Comigo a líder do PS, as coisas serão claras. O PS tem a ambição de ganhar sozinho as próximas eleições legislativas, lutando pela maioria absoluta", declarou Sócrates no início de um jantar de apoio à sua candidatura na antiga Feira Industrial de Lisboa, com cerca de 80 presidentes de câmara do PS.
José Sócrates, 46 anos, saudou as candidaturas adversárias de Manuel Alegre e João Soares, dizendo esperar que o debate a travar no congresso do PS (a 01, 02 e 03 de Outubro) sirva para "valorizar do partido aos olhos dos portugueses".
"Quero um PS da esquerda moderada. Foi assim que o PS nasceu e i assim que os portugueses nos querem", sublinhou, numa demarcação face à candidatura da ala esquerda de Manuel Alegre.
José Sócrates deixou ainda um segundo recado: "O PS deve ter orgulho na sua história, mas tem de procurar soluções para o futuro".
As eleições para secretário-geral do PS, que se realizam a 24 e 25 de Setembro, devem-se à demissão Eduardo Ferro Rodrigues, que abandonou a liderança do partido depois de o Presidente da República, Jorge Sampaio, ter decidido não convocar eleições legislativas antecipadas e convidar o PSD a formar um novo governo.
A decisão do Presidente da República, anunciada a 09 de Julho, pôs termo à crise política criada com a demissão do agora ex-primeiro- ministro José Manuel Durão Barroso, que foi hoje eleito presidente da Comissão Europeia pelo Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
Agência LUSA
2004-07-22 21:20:00
Publicado por Manuel Alegre às 05:22 PM
MANUEL ALEGRE ANUNCIA CANDIDATURA
No dia 22 Manuel Alegre anunciou a sua candidatura a secretário-geral por estar em causa a natureza do PS enquanto partido de esquerda e garantiu que irá até ao fim na corrida à liderança.
"Não vou desistir" para qualquer outro candidato, sublinhou em conferência de imprensa na Assembleia da República."Quando me meto num combate é para ir até ao fim", garantiu.
Na conferência de imprensa, Manuel Alegre esteve apenas acompanhado por Maria de Belém, que divulgou um abaixo-assinado de cem militantes que apoiam a candidatura do actual vice-presidente da Assembleia da República.
"A minha candidatura não é em nome do passado no PS, mas em nome da identidade do PS. Está em causa a natureza do PS enquanto partido de esquerda", declarou Manuel Alegre, que referiu ainda que que parte com o objectivo de vencer as eleições para o cargo de secretário-geral do PS, que se realizarão a 24 e 25 de Setembro, ainda que "em condições desiguais".
"Vamos lutar contra o tempo. Pelos vistos, havia quem já estivesse a preparar-se há muito tempo para eleições no PS", comentou.
Depois de Maria de Belém ter anunciado que a moção de orientação de estratégia da ala esquerda dos socialistas terá o títuto "Mais igualdade, melhor democracia", Manuel Alegre começou por justificar a sua candidatura com base no facto de o país viver uma "crise social, política e económica" e por a demissão de Ferro Rodrigues da liderança do PS ter aberto também "uma crise no partido".
"A minha candidatura é um imperativo ético e cívico. Sei que parto para um combate desigual", disse o vice-presidente da Assembleia da República, antes de se recusar a responder se será também candidato a primeiro-ministro caso seja eleito secretário-geral dos socialistas.
"Os estatutos do PS dizem que no congresso só está em causa a escolha do secretário-geral do partido", afirmou.
"O congresso do PS não será uma coroação de alguém ou um plebiscito. O secretário-geral é eleito livremente por todos os militantes do partido", sublinhou."Não são os presidente da federação, nem nenhum intermediário, que escolherá o futuro secretário-geral do PS", avisou, depois de dizer que não tem "adversários" dentro do partido.
"Os meus adversários são a direita política e, sobretudo, a direita dos interesses. Para derrotar a direita, quero mobilizar a alma popular e a alma de esquerda do PS", referiu ainda.
Manuel Alegre saudou a candidatura do ex-presidente da Câmara de Lisboa João Soares, mas frisou que o seu projecto está "em melhores condições de federar apoios no partido".
No final da conferência de imprensa, Maria de Belém anunciou que a candidatura de Manuel Alegre será formalmente apresentada na quinta-feira,dia 29 de Julho, durante uma sessão que decorrerá na sede nacional do partido.
Publicado por Manuel Alegre às 05:14 PM | Comentários (9)