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julho 25, 2004

ALmeida Santos: "PS obterá maioria absoluta pela primeira vez"

Notícia da LUSA publicada no website da RTP no dia 25:
O presidente do PS, Almeida Santos, manifestou-se hoje convicto de que o Partido obterá, pela primeira vez, a maioria absoluta, nas próximas eleições legislativas, e acusou o actual Governo de proteger os ricos em prejuízo dos pobres.

"Acredito que nas legislativas o PS talvez tenha a maioria absoluta, pela primeira vez", disse, durante as comemorações do "Dia da Federação" do PS de Coimbra, em Arganil, com a participação do presidente honorário do Partido, Fernando Valle, que na próxima semana completa 104 anos de vida.

António Almeida Santos sustentou que os governos socialistas só podem ser comparados com os formados pelo PSD quando o PS obtiver maioria absoluta.

"Quisemos aprovar muitos projectos que a maioria da direita com alguns da esquerda chumbou contra nós, e não pudemos impor a nossa vontade", sublinhou.

Sobre os próximos combates, Almeida Santos afirmou que o PS "irá ganhar (as eleições regionais) nos Açores e melhorar o `score` na Madeira", onde "não tem mais ambições do que isso".

Depois, Almeida Santos apontou baterias para o Governo de Santana Lopes, acusando-o de "querer reduzir os custos o mais que puder cortando aos pobres".

"Um governo que vive para dar continuidade a um governo anterior, com um programa de protecção aos que têm muito e de sacrifícios dos que têm menos", disse, considerando que "a grande fortuna em Portugal coincide com a grande miséria".

Sobre a vivência interna do Partido, com a liderança a ser disputada por três candidatos, Almeida Santos disse à Agência Lusa que a sua "preocupação é garantir a igualdade de condições a todas as candidaturas e que irá dar instruções nesse sentido".

"O presidente do Partido é o garante da unidade e dos estatutos, estou condenado a não ter candidato", afirmou, quando questionado sobre qual dos candidatos apoiará.

Confrontado com o recente episódio que envolveu o candidato Manuel Alegre e levou à demissão de Jorge Coelho de coordenador das autárquicas, Almeida Santos admitiu que se estivesse no lugar de Jorge Coelho teria tomado a mesma atitude.

"Não é a primeira vez que Jorge Coelho toma uma atitude coerente com os seus valores. No lugar dele seria capaz de fazer o mesmo", disse.

Para Almeida Santos, atitudes como as de Jorge Coelho "só provam que o PS é um partido de valores e de atitude, que não está agarrado ao poder".

"Que se batam com a dignidade a que nos habituaram os candidatos do partido e que no dia seguinte às eleições sejam tão irmãos como antes" é o conselho de Almeida Santos a Manuel Alegre, João Soares e José Sócrates.

Sócrates é o candidato apoiado pela concelhia de Coimbra, não obstante Manuel Alegre ser o candidato mais identificado com a "cidade dos estudantes".

Alegre não foi convidado para as comemorações do "Dia da Federação" porque, disse à Lusa o presidente-adjunto do órgão, Horácio Antunes, o encontro foi para os "inscritos na Federação" e "não houve convites especiais", até porque "não convinha um convite que pudesse ferir susceptibilidades".

O dirigente do PS/Coimbra admitiu que Sócrates "encarna em si todos os ideais e capacidades" necessárias ao líder de que o Partido precisa.

Mais cauteloso, o eurodeputado e ex-líder da Federação do PS/Coimbra, Fausto Correia, declarou à Lusa a sua "posição de neutralidade, de rigorosa equidistância" perante os candidatos.

"Só no dia das eleições, pelo voto, se avaliará com exactidão o que cada candidato vale ou não vale", disse.

Sobre o episódio Manuel Alegre/Jorge Coelho, Fausto Correia considerou o "assunto encerrado" com as explicações de Manuel Alegre sobre o sentido das suas declarações.

Durante o comício, Fernando Valle foi retratado por Almeida Santos como "a definição do socialismo democrático" e "a máxima referência política, ética e cívica de sempre" que já teve.

Apesar dos quase 104 anos de vida e do forte calor que se fazia sentir no Monte Alto, onde decorreram as intervenções, Fernando Valle subiu à tribuna para se dirigir aos camaradas socialistas, a quem transmitiu palavras de esperança e alegria, e votos da "maior saúde".

Agência LUSA
2004-07-25 17:30:00

Publicado por Manuel Alegre às julho 25, 2004 05:41 PM