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julho 28, 2004

Uma análise do DN

Após o anúncio da candidatura, o DN publicou uma análise de MARIA HENRIQUE ESPADA (sob o título "Manuel Alegre é candidato a líder mas a primeiro-ministro ainda não"), do seguinte teor:

«Vou lutar para ganhar.» A frase, de Manuel Alegre, ontem, deixa a garantia de que será candidato no congresso socialista de Outubro e exclui a hipótese de desistir em qualquer circunstância. O agora candidato reforçaria essa intenção dizendo que «o combate é para ir até ao fim. Sempre». O deputado torna-se assim o terceiro candidato na corrida a secretário-geral do PS, apoiado quer pela ala esquerda do partido, quer por alguns dos dirigentes próximos de Ferro Rodrigues.

Alegre explicou o avanço, depois de há duas semanas ter excluído essa hipótese, dizendo que nunca teve «este projecto». «Não provoquei isto, mas nunca virei costas a um desafio.» Mais, é «um imperativo cívico e político aceitar a candidatura» que lhe foi proposta. Mesmo sendo, como afirmou, «um combate desigual», face ao avanço de outras candidaturas previamente posicionadas no terreno partidário. Porque enquanto o partido se preparava para um cenário de eleições no País, «havia quem se estivesse a preparar há muito tempo para eleições no PS», acusou Alegre. Não nomeou ninguém, mas o recado encaixa directamente em José Sócrates, cujos passos para a candidatura eram há meses evidentes nos bastidores. Ainda assim, Alegre ressalvou que os seus «adversários não estão no partido, mas na direita instalada no poder».

Mas também para Sócrates seguiu a mensagem de que a eleição do secretário-geral do PS não é «uma coroação, nem uma nomeação, mas uma eleição», e que quem a determina são os militantes, e «não os presidentes das federações», cujo apoio a candidatura do ex-ministro do Ambiente tem invocado. «Ninguém é dono de ninguém», afirmou, e «não há vencedores à partida». Alegre propôs-se «mobilizar a alma popular e a alma de esquerda do PS».

Na primeira intervenção pública de Manuel Alegre enquanto candidato, uma dúvida acabou por ficar: o poeta recusou afirmar-se candidato a primeiro-ministro, ao contrário do que já fez implicitamente José Sócrates. Já Alegre afirmou que é apenas «candidato a secretário-geral do PS». Quanto ao candidato a primeiro-ministro a apresentar pelo partido, a sua escolha é uma competência, disse Alegre, «da comissão política» que sair do congresso: «Quer seja eu quer seja outro camarada.»

A candidatura de Manuel Alegre, ontem anunciada por Maria de Belém, a seu lado na Assembleia da República, apenas será formalmente apresentada na próxima quinta-feira, no Largo do Rato, à semelhança do que aconteceu com as restantes candidaturas. Os princípios da moção que defenderá serão também nessa altura tornados públicos. Mas o título é já conhecido: «Mais igualdade, melhor democracia.» Belém anunciou também uma primeira lista de apoiantes de Manuel Alegre, em que se contam socialistas como Helena Roseta, Vera Jardim, Alberto Martins, Medeiros Ferreira, Osvaldo Castro, Jorge Strecht, Jorge Lacão ou Maria Santos, que integram ou estão próximos da chamada ala esquerda. Mas também elementos próximos de Ferro Rodrigues subscrevem o documento de apoio a Alegre. Estão neste caso Ana Benavente, Augusto Santos Silva, Ana Catarina Mendes, João Pedroso ou Mark Kirkby. E históricos como Fernando Valle, Edmundo Pedro ou Carolina Tito de Morais. E dirigentes menos «classificáveis» nestes dois grupos, como José Magalhães.

A candidatura de Alegre vem disputar, quer pelo protagonista, quer pelos apoios que recolhe, quer ainda pelos princípios que a moção deverá consagrar, o espaço mais à esquerda no PS, que não se revê em Sócrates. E vem também dividir um espaço onde o próprio João Soares esperava poder recolher alguns apoios.

Publicado por Manuel Alegre às julho 28, 2004 05:33 PM

Comentários

Não sei porque é que esta candidatura dá para o PS manter uma matriz de esquerda e as outras não, nomeadamente a de Sócrates. Tirando dois ou três apoiantes visíveis que entraram no partido para "limpar a tralha Guterrista" os outros não deixaram de, nos governos, serem ferrenhos guterristas, nada menos do que Sócrates. Acredito que sejam só mais canhotos.

Publicado por: José Silva em agosto 1, 2004 10:23 PM

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Publicado por: black jack em dezembro 22, 2004 02:38 PM