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agosto 30, 2004
Quando a Direita Pensa a Esquerda - um bom tema para debate
EDUARDO PRADO COELHO, na sua coluna no Público (30 de Agosto de 2004),reflecte sobre temas relevantes para o debate em curso no PS.Que avaliação deve ser feita dos anos de governação do PS, sob a liderança de António Guterres? Qual o significado actual dessa fase da vida do PS? Como se posicionam os vários candidatos perante as opções tomadas nesse período histórico? O que diferencia os candidatos?
Segue-se o texto integral, aberto a comentários:
«Um dos aspectos mais curiosos no actual debate no interior do Partido Socialista, na disputa para o lugar de secretário-geral, é que a direita não se cansa de teorizar sobre o que a esquerda não deveria ser, e, de um modo mais tímido, sobre o que a esquerda deveria ser. Ora qual é a conclusão desta aturada reflexão? Vendo os teorizadores verifica-se que a esquerda, para ser verdadeiramente actual, teria de ser a direita. Porque na concepção pluralista que dizem defender só a direita tem legitimidade para existir politicamente. O resto são velharias. Mesmo José Sócrates, que poderia ter alguns aspectos que a direita valorizasse, é no fundo um arcaico. Porquê? Porque é de esquerda.
Neste contexto há muitas referências ao chamado "guterrismo". Mas será que isto significa alguma coisa? Há um primeiro Guterres cuja actividade arranca com uma importante iniciativa; os Estados Gerais. E que tem um programa amplamente positivo. Há um Guterres que mete os pés pelas mãos na questão da interrupção voluntária da gravidez (ponto em que Alegre ou Sócrates são extremamente claros). Há um Guterres que se desmotiva ao não obter a maioria absoluta e que multiplica truques para sobreviver ("o queijo limiano") e deixa arrastar as questões (a demissão de ministros ou a situação da RTP). O "guterrismo" primeiro tem coerência ideológica. O "guterrismo" final é o desastre em vários episódios. Como emblema ideológico foi perdendo consistência.
Daí que dizer, como faz José António Lima no "Expresso", que a candidatura de Alegre pretende, reunindo "os descontentes, deserdados e desadaptados do PS" (o que é manifestamente um disparate), opor-se ao "guterrismo social-cristão" não faça grande sentido senão no museu dos lugares-comuns. Em certos aspectos, Sócrates está mais à esquerda do que Guterres (em quase tudo o que diz respeito a valores éticos), noutros aspectos está mais à direita. Pode-se mesmo afirmar, como faz Ana Sá Lopes no PÚBLICO, que "Alegre e Sócrates pensam mais ou menos o mesmo sobre as 'questões estruturais'". O que demarca as duas candidaturas é que Sócrates vem do exterior do socialismo para o socialismo, enquanto Alegre vive por dentro a evolução do socialismo.
Ora a questão da memória e do passado não vale como programa para hoje, mas, sim, como ponto de partida que enraíza numa certa tradição da esquerda e que dá uma densidade cultural e doutrinária que Sócrates não parece ter (o que não quer dizer que não haja no programa de Sócrates, o que foi sublinhado por Vital Moreira, pontos positivos - como, por exemplo, a separação da construção civil dos lucros das autarquias).
O essencial consiste em encontrar um critério de discriminação. Tenho sugerido que ele é cada vez mais a questão da liberdade de escolha concreta, em todos os domínios, que se coloca a cada um de nós. Ora a liberdade estritamente económica é o principal inimigo dessa liberdade concreta que a esquerda defende.
Publicado por Manuel Alegre às agosto 30, 2004 03:39 PM
Comentários
A segunda fase do Guterrismo foi extremamente penosa para quem lutou pela vitória do PS, foi um disvirtuar sem fim do Socialismo democrático, o caso do secretário geral do PS ser católico e como tal se manifestar activamente contra a lei do aborto, por uma opção pessoal religiosa, foi talvez o pior que poderia ter acontecido ao PS.
O ceder a lobbys dentro e fora do partido, e a sua posterior fuga do poder em vez de dar uma guinada à esquerda como militantes como eu estavam à espera, fizeram com que a minha militância activa perdesse o empenhamento que a situação do País merecia.
Com a chegada do camarada Ferro Rodrigues a secretário geral o meu empenhamento com o PS tornou-se de novo mais aceso e a esperança renasceu.
Com a candidatura de Sócrates a secretário geral e a sua possível vitória, deixa de haver razões de luta por uma sociedade mais justa e igualitária, a forma vencerá finalmente a idéia e
o sonho duma democracia participativa e restauradora do orgulho de ser Português, será submetida à centralidade medíocre e sem alternativas duma sociedade estagnada.
Só a candidatura do camarada Manuel Alegre é que pode restaurar a capacidade de luta contra esta direita reaccionária, que se encontra no poder em Portugal.
A esquerda moderna está nesta candidatura, porque possui uma postura ideológica que posiciona o Partido Socialista na esquerda e não em qualquer centro mutável conforme as conjunturas nacionais e internacionais.
Luís Guerreiro militante Socialista
Publicado por: Luís Guerreiro em agosto 30, 2004 05:47 PM
Concordo com o parágrafo: "O essencial consiste em encontrar um critério de discriminação. Tenho sugerido que ele é cada vez mais a questão da liberdade de escolha concreta, em todos os domínios, que se coloca a cada um de nós. Ora a liberdade estritamente económica é o principal inimigo dessa liberdade concreta que a esquerda defende".
Mas sem liberdade económica como podem os excluidos deixar de apoiar Sócrates, que esperam que venha a ganhar, e depois não terem um bom emprego (tacho)?
É o Aparelho a funcionar!
Publicado por: António José em agosto 30, 2004 08:51 PM
Fiquei muito feliz com o "apoio" de Gilberto Gil à campanha do camarada Manuel Alegre, a minha cara metade que é Luso-Brasileira, e vota no PT,para as eleições Brasileiras e no BE para as Portuguesas também !
Publicado por: Luís Guerreiro em agosto 30, 2004 09:07 PM
Nem sei que dizer...Não julgo que o assunto mereça qualquer comentário.
O erro continua a ser seguido. O objectivo não é dar ouvidos se a direita acha que a esquerda devia comportar-se de tal ou tal forma, eu, eleitor, gostava que os políticos fossem filosofos humanistas práticos. Ou seja, filosofem sobre o que é melhor para a humanidade, Portugal neste caso, e ponham em prática.
Perder tempo com mesquinhices...Ainda perguntam porque existe uma tão forte abstenção, e porque essa abstenção continua a aumentar. Façam uma auto-análise e vão ver que não irão ter dificuldade em perceber os erros constantemente repetidos.
Publicado por: Sr. Mofo em agosto 30, 2004 11:33 PM
Não se fez, como devia, a catarse guterrista. Quero dizer, nunca se fez a avaliação dos erros da governação de Guterres o que deixa o PS em maus lençois seja com Sócrates, seja com Alegre. E é por isso que se cometem os mesmo erros como é, por exemplo, o caso deste post quando refere os Estados Gerais.
Os Estados Gerais foram um show off mediático, como se diz agora. Dele nasceram os grandes erros do primeiro governo Guterres e quiçá de toda a governação. Governantes academicos, sem experiência política e sem capacidade gerencial - Daniel Bessa, Vieira Nery, Augusto Mateus, Maria João Rodrigues e tantos outros.
O que marca as duas candidaturas é, engraçado, a percepção dos militantes sobre qual dos dois candidatos é mais capaz de políticas de esquerda, ou seja, o que na esfera pública é mais capaz de mudar e de transformar. Estou certo, como a esmagadora maioria dos militantes, que essa escolha vai inteirinha para José Sócrates.
Militante nº 11639
Publicado por: Real em agosto 31, 2004 12:42 AM
Para começar, parabéns à candidatura do camarada Manuel Alegra por manter um fórum de discussão aberto a todos, sem censura nem filtros, é preciso coragem...tão diferente de um outro candidato!
Militante nº 11639,concordamos na falta de catarse da fase guterrista, apenas acho que o mediático camarada josé socrates também não a fez, não quis fazer e evoluiu para uma espécie muito mais perigosa!
Evoluiu para um pseudo-ex-futuro-social-democrata-lobby friend-estrela de telejornal-preciso do aparelho e estou à venda-sou mais bonito que o santana!É um bicho raro que se desenvolve em condições particulares no fundo de alguns tachos e com as bactérias de alguns grupos de interesse!
Não interprete mal as minhas palavras, admiro alguém que assume erros, admiro alguém que se sabe aproveitar da comunicação social para se promover (quando mais nada resta também não mata ser um produto da rangel&friends e usar o manual de politica santana lopes...serviu para alguém que achava que éra perseguido por um mailing de um livro e que adorava violinos de chopin chegar a primeiro ministro)!
O que não admiro é vencedores antecipados, é falta de ideologia, é falta de principios, é a disponibilidade para tudo vender em prol de subir na escada politiqueira,é serem alguns predestinados que "vendem empregos e negócios" e "agarram" votos decidirem que é o meu Secretário Geral!!!
Não admiro, não admito e não vão conseguir!
O nosso partido é melhor que todos esses vendilhões do templo!
O nosso objectivo é bem maior e precisa de todos os que quiserem trabalhar por um partido com rumo, ideologia, ideias firmes, que não se venda...
Sabe, Adenauer disse um dia que todo o partido existe para o povo e não para si mesmo, não quero um secretário geral que siga as pisadas do santana flops e das suas santanetes!
Paulo Lopes
Castelo Branco
Publicado por: Paulo Lopes em setembro 6, 2004 04:15 AM
Estou de acordo com o camarada nº 11639, José Sócrates é o único dos três candidatos capaz de mudar e transformar o PS. E não venham com a conversa do "ex-jotinha", porque a camarada Helena Roseta, grnde apoiante de Manuel Alegre, foi militante e membro dos órgãos nacionais do PSD e já era bem adulta! Quanto aos insultos dirigidos a Sócrates, chamando-lhe "estrela de telejornal", como faz o camarada Paulo Lopes, são de um ridículo a toda a prova. Ainda não perceberam que estamos no séc. XXI? Além disso, trata-se de um argumento desonesto, pois se há "estrela de telejornal" no PS é o Carrilho, apoiante de Alegre! E, na SIC notícias, são constantes os depoimentos de Ana Gomes, João Cravinho, Augusto Santos Silva, todos apoiantes de M. Alegre. Por isso, por favor, camaradas, não sejam ridículos e não tomem os militantes por parvos! Clara Martins
Publicado por: Clara em setembro 6, 2004 12:11 PM
Camarada Clara:
Não subscrevo o tom com que alguns definem José Sócrates, porém a minha ordem de razões tem outro tipo de conteúdo.
A saber:
1. José Sócrates não tem curriculum profissional, político e cívico para ser Secretário-Geral do PS;
2. É deputado desde 1987 de onde nunca mais saiu, a não ser para secretário de estado em 1996 e ministro em 1999;
3. Até lá era engenheiro estagiário ( fiscal ) na Cãmara da Covilhã;
4. desde então nunca mais trabalhou, nunca mais contactou com o mundo cívico e do trabalho;
5. todos os seus gestos como candidato a secretário-geral representam o que de pior a política tem - tem o PS de Matosinhos com ele, tem todos os ex-ministros de António Guterees que mais problemas levantaram ao PS e em relação a quem o eleitorado já disse de sua justiça ( Fernando Gomes, Nuno Cardoso, a título de exemplo );
6. propõe para Presidente do Partido uma figura gasta, que representa um certo partidop que quero esquecer, dirigindo os congressos de forma absolutamente repugnante, com 80 anos e que apenas se mantém na política para assegurar que a sua filha seja, FINALMENTE, deputada;
7. tem um percurso no ministério do ambiente que, ao invés do que parece, é um mar exemplificativo de como a teimosia irracional fabrica políticos autoritários;
8. não tem cultura democrática ( vejam-se os pequenos sinais de cólera quando alguém o contraie ou enerva);
9. não tem preparação para ser primeiro-ministro de Portugal.
Publicado por: José SILVA CABRAL em setembro 6, 2004 05:24 PM