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agosto 05, 2004
ALIANÇAS À ESQUERDA OU À DIREITA? Manuel Alegre na entrega da sua candidatura
Manuel Alegre desafiou hoje José Sócrates a esclarecer se admite alianças à esquerda no caso de o PS vencer as próximas legislativas sem maioria absoluta.
Narra a LUSA:
"O PS deve lutar pela maioria absoluta, mas podemos não a ter. E o que é que [José Sócrates] vai fazer? Negociar com o CDS? Refazer o bloco central [PS/PSD]? Nós não temos medo de negociar com a esquerda. Não temos medo da palavra esquerda", afirmou Manuel Alegre.
O candidato à liderança socialista discursava numa cerimónia no jardim da sede nacional do PS, em Lisboa, depois da entrega, ao presidente da comissão organizadora do congresso, Vieira da Silva, das assinaturas de apoio à sua candidatura - mais de 200, de acordo com o coordenador da campanha, Osvaldo de Castro.
Ressalvando que o congresso do PS, que se realiza no início de Outubro, não são "legislativas primárias", Manuel Alegre insistiu que José Sócrates, como todos os candidatos, tem a obrigação de dizer que estratégia propõe para o país.
Acompanhado por Manuel Maria Carrilho e Maria de Belém Roseira, entre outros socialistas apoiantes da sua candidatura, Manuel Alegre defendeu que "a estabilidade também se pode construir à esquerda" e insistiu que Sócrates esclareça qual a sua política para "garantir a estabilidade" num cenário em que venha a ser eleito secretário-geral do PS e primeiro-ministro.
Alegre recusou que a sua candidatura pretenda deter "o monopólio exclusivo da esquerda", mas frisou que "isso mede-se pelas atitudes e comportamentos" e que "não recebe lições de bom comportamento por parte de ninguém".
O actual vice-presidente da Assembleia da República aproveitou ainda para divulgar os nomes de dois novos apoiantes da sua candidatura, Torres Campos e Elisa Ferreira, deputada independente na bancada socialista, e assinalar a presença na cerimónia, como apoiante, da dirigente socialista Ana Gomes.
Manuel Alegre anunciou a realização de um debate, no âmbito da sua campanha, sobre o Desenvolvimento de Portugal no contexto da União Europeia, iniciativa "virada para a sociedade" e que considerou "um protótipo dos novos Estados Gerais".
A estrutura organizativa da campanha foi também apresentada: o deputado do PS João Cravinho é o mandatário nacional da campanha, Lígia Amâncio é mandatária para as mulheres e Juliana Martins e Miguel Cabrita para a Juventude. Osvaldo de Castro e Ana Catarina Mendes são os directores e coordenadores nacionais da candidatura de Manuel Alegre.
Publicado por Manuel Alegre às agosto 5, 2004 10:06 PM
Comentários
Não têm que ter medo da esquerda, o que têm é de se assumir com tal e nunca terem andado a flectir ou para o centro ou para a direita, desiludindo os não militantes que se têm mantido fiéis na sua opção de voto à boca da urna.
Publicado por: congeminações em agosto 5, 2004 11:06 PM
Caro Manuel Alegre
A questão que se coloca, á parte o eterno contar de espingardas com a continuada apresentação de pseudo notáveis, é a forma como a exposição a questões do foro interno do Partido Socialista são colocadas na praça pública.
É voçê que o diz, meu caro camarada Manuel Alegre, que as alianças, a realizarem-se, se perfilam á direita e á esquerda, colocando na boca das outras candidaturas palavras suas.
Sejamos claros, as suas opções passam por anunciar préviamente as alianças futuras, assentes nisso mesmo ; futurologia analítica que pouco tem de real!
A realidade, se me permite uma humilde opinião, é precisamente aquela que decorre de interpretarmos os dados de acordo com os resultados alcançados.
Não existindo maioria absoluta, devemos aguardar que os Partidos á esquerda adiram ao programa do governo apresentado pelo Partido Socialista, sem nos condicionarmos e sem alterarmos a estratégia de governação previamente apresentada. De acordo com as percentagens das representações parlamentares, só existe espaço para coligações nestas condições.
Publicado por: José Pedro Rodrigues em agosto 6, 2004 11:44 AM
Sócrates contra Sócrates
ou o pequeno enigma
Sócrates, o grego, que apesar de ter 2500 anos e ser filósofo, ainda é muito mais notável do que o nosso homónimo engenheiro, seguia o lema “Conhece-te a ti mesmo”. Sócrates deu a própria vida para que a verdade fosse por todos alcançada. Colocava perguntas incómodas, cujas possíveis respostas conduziam os seus interlocutores a um de dois possíveis resultados: ou à descoberta da verdade, ou então ao desmascaramento do engano com que tantas vezes se encobre a mesma verdade. Foi essa ousadia junto dos poderosos que o deitou a perder...
Manuel Alegre, que, no Portugal do século XXI, é quase tão famoso como Sócrates na Grécia do século V antes de Cristo - apesar de não ser filósofo - colocou uma questão socrática ao nosso engenheiro Sócrates: José Sócrates, que está a tentar confundir estas eleições para secretário geral do Partido Socialista, com umas primárias para primeiro ministro, se ganhar esta eleição agora, e depois as legislativas com maioria relativa, como irá garantir a estabilidade governativa. Que acordos irá fazer? Com a direita? Com a esquerda? Com mais um queijo Limiano, ou uma qualquer alheira de Mirandela?..
O nosso Sócrates, pelo seu director de campanha, deu uma resposta contra o próprio Sócrates. Procurou esconder a verdade, criando um pequeno enigma: o que irá fazer nessa possibilidade?!.... Que disse então o nosso engenheiro Sócrates?!...
Disse que responder à pergunta era um sinal de fraqueza, pois era admitir a possibilidade de não vencer as futuras legislativas com maioria absoluta. Isto cá para nós, realmente, não passa pela cabeça de nenhum português que se preze, que o PS ganhe as próximas legislativas apenas com maioria relativa!... É algo de absolutamente impensável!!! E muito menos por um candidato a primeiro ministro!...
Com esta resposta Sócrates revelou-se:
Disse-nos que usa uma política de tosca dissimulação. O esforço para esconder o que iria fazer é um notável contributo para o sabermos: Vê-se, à evidência, pela sua resposta, que Sócrates repetiria o erro de Guterres: negociando, ao “bom” estilo utilitarista, com aqueles que, no imediato, lhe oferecessem melhor e mais fácil resultado.
Disse-nos que, para si, o Partido Socialista e a política é um jogo em que se molda a táctica às circunstâncias, procurando surpreender o adversário, e consequentemente o público. Talvez se comece a perceber porque não quer debates abertos ao exterior... Mas, mesmo neste plano, Sócrates é mau jogador: denuncia-se demasiado...
Disse que, para si, a diferença entre a esquerda e a direita se resume a um mero posicionamento relativo no tabuleiro do xadrez da política. O seu valor é variável em função do contributo que cada uma das forças políticas lhe possa dar para as pequenas vitórias de circunstância.
Disse, enfim, que seria o senhor que se segue neste enfadonho desfile dos servidores do neoliberalismo e dos seus beneficiários líquidos, que têm passado e continuam a passar, com cada vez mais despudor, pelos governos de Portugal.
Com aquela incómoda pergunta, Alegre trouxe-nos o terrível moscardo socrático, que espicaça as consciências e denuncia as falsificações. Virou Sócrates contra Sócrates e os socialistas para o problema da sua própria identidade, conhecendo-se a si mesmos.
Publicado por: Josias Gil em agosto 9, 2004 09:19 PM
Este José Pedro Henriques é uma " máquina " Um grande estratega. Estou a ver que o PS e o país perderam um grande definidor de tática política. Pois meu caro, eu prefiro a real politik. Prefiro o que é genuino, prefiro pensar em alianças políticas para o futuro de Portugal e não em querer o poder só para mim, se tal for possível, não tendo de o dividir commais ninguém.
Quanto mais a luta aquece, mais força tem o PS!
Publicado por: José SILVA CABRAL em agosto 17, 2004 12:28 PM