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agosto 02, 2004
Carta Aberta ao camarada Manuel Alegre
Uma política de ideais e não de conveniências!
Há duas imagens dos políticos:
a do político propriamente dito, do ideólogo, do tribuno, do disputador do poder; outra a do estadista, do gestor da Polis, do homem capaz de bem conduzir o País na senda do Progresso e do seu ideário político.
Os lideres dos partidos deverão ser, principalmente, do 1º tipo
O dos governos, principalmente do segundo.
Os primeiros, idealistas, aliando a força da razão à chama da convicção; os segundos pragmáticos, juntando o conhecimento técnico das questões à capacidade de realização.
Quando uns se confundem com outros, normalmente o Partido esgota-se no poder e isto é assim para os governos e autarquias, como o é para o partido nas suas estruturas de vário nível .
Estas funções têm permitido nestas alturas o posicionamento “do poder pelo poder” no aparelho partidário. Tem sido assim e os resultados não têm sido bons.
Nesta fase, a tua candidatura deverá ser, essencialmente, do primeiro tipo, sem contudo descurar a hipótese de, quando e se tiver de assumir o poder, se poder garantir uma chefia “de Estado” séria, dedicada, honesta, democrática e competente.
Esta candidatura tem apoiantes de grande nível e prestígio pessoal, quer no Partido, quer na sociedade civil. Não é, assim, uma luta em que estejas só, pelo contrário, tens uma equipa poderosa, cujos méritos deverão ser, em campanha, amplamente enfatizados. É de partir, assim, confiantes num bom resultado e pugnar para vencer, sem nos deixarmos influenciar pelos media.
Sem descurar a informação pública, deverá ser para os militantes que a campanha se deverá virar, com sessões em todas as federações distritais.
Apostamos na confirmação da identidade de esquerda do Partido Socialista e na sua renovação.
Sem mudarmos o partido não conseguiremos mudar as politicas e muito menos a responsabilização e a credibilidade nacionais.
Toda a gente está farta de conversas e discursos palavrosos e opacos de significado. É preciso ser claro e falar forte e conciso, sobre a imprescindível reforma do partido e dos esquemas de participação interna; sobre a necessária renovação dos quadros e das caras; sobre a refocalização num ideário, sem duvidas, tolerante, igualitário, progressivo, criativo, que valorize o espaço social do Estado como um dever correspondente a um direito dos cidadãos.
O país precisa de um PS nítido, à Esquerda, com o esclarecimento do que é que “Esquerda” significa nos dias de hoje e porquê. Devemos ter ideias políticas sobre o País, os seus problemas concretos e as possíveis formas de os resolver. Problemas da iletracia, da falta de formação cívica e profissional; da baixa produtividade, da desorganização crónica, da diminuição da solidariedade na sociedade, do abandono dos velhos, da licença na formação da juventude.
O PS deve também credibilizar-se na exigência e na prática dum exercício honrado dos cargos públicos. Com verdade, numa pratica evidente de transparência de objectivos e de processos.
Nas acções internas de reforma do Partido e na política nacional, nas ideias e nas condutas, o PS deve voltar a agir por ideais e não por conveniências. A favorecer o mérito e a dedicação e não as clientelas e a subserviência. A apreciar a dialéctica e o debate de ideias e não o seguidismo acrítico e carreirista. A praticar a abertura e a tolerância e não o fechamento defensivo e o conservadorismo medroso.
Conhecemos bem o Partido e, muitas vezes, já não nos reconhecemos naquilo que ele parece ser, nas formas como age, nas próprias ideias políticas (que não configuram qualquer ideologia como sistema) que manifesta.
Consideramos que se está uma etapa fundamental da democracia em Portugal e que é fundamental que o PS recupere a sua posição de esquerda democrática e socialista que teve durante mais de 20 anos e que, hoje em dia, é difícil de encontrar.
Passará por roturas e conflitosinternos e externos, sem dúvida.
Estamos em crer que tu, Camarada Manuel Alegre, és quem , agora, melhor poderá ganhar esta batalha , para um partido redignificado, com lideres por quem se possa ter consideração e respeito pessoal.
Estivemos no lançamento da Campanha, no Rato. Disseste quase tudo o que acima escrevemos, o que os satisfez, obviamente. Mas disseste mais e nós também concordámos. E saímos satisfeitos, os mas velhos, pelo menos, por reencontrar um discurso e uma postura num líder partidário, que nos recordou os tempos do Partido onde sentíamos orgulho e estímulo de participar.
Conta, evidentemente connosco, para o que for necessário.
Com as nossas saudações socialistas e votos de sucesso,
ANDRÉ FONSECA FERREIRA
ANTÓNIO SÉRGIO PESSOA
ÁLVARO SANTOS SILVA
Publicado por Manuel Alegre às agosto 2, 2004 09:28 PM
Comentários
A verdade infeliz é que vossas excelências, todos, andam desde há muito a afundar o barco chamado Partido Socialista.
Porque é que não apoiaram Ferro Rodrigues como o verdadeiro líder actual do PS?
O vosso erro é tão triste que até dói. O PS com Ferro Rodrigues à frente acabou de ganhar esmagadoramente as eleições europeias. O que fazem vossas excelências? Imediatamente entram em digladiação para liderar este ou aquele o Partido Socialista. Atitude mais "autofágica" não poderia haver.
Porque é que não gostavam de Ferro Rodrigues? Por ser gordo?!... Por não ser telegénico?!... Por não ser um "falador" para a comunicação social?...
Porque Ferro Rodrigues não se demitiu somente pela "contra-natura" decisão presidencial. Ferro Rodrigues demitiu-se porque vossas excelências queriam um telegénico, queriam um falador, queriam um "elegante".
Pois então aí o têm: Sócrates.
[Agora querem praticamente "imolar" Manuel Alegre. Parece desejarem (vade retro satanás!) uma espécie de Professor Doutor Sousa Franco II... (A este último, aqui lhe reitero a minha homenagem)]
(Oxalá eu me engane. Porque isto é uma previsão dos acontecimentos.)
Publicado por: António Duarte Bento em agosto 2, 2004 10:58 PM
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não
Publicado por: jgonçalves em agosto 2, 2004 11:22 PM
Penso que o caro jgonçalves não entendeu o conteúdo do meu comentário. De facto, tenho o hábito de "não dizer tudo" e, contudo, tudo dizer.
Com toda a honra, respeito e amizade que tenho por Manuel Alegre, vou ser completamente claro:
1. Existe uma grande possibilidade de Manuel Alegre ganhar a liderança do PS no seu congresso;
2. Ganhando a liderança do PS, Manuel Alegre fará/liderará a próxima campanha eleitoral para as autarquias;
3. Penso que Manuel Alegre sabe de certeza que a campanha eleitoral lhe exigirá um grande esforço, tanto psíquico/emocional como físico;
4. E mais não digo.
Publicado por: António Duarte Bento em agosto 3, 2004 02:52 AM
Uma sugestão, reiterando o respeito e a amizade por Manuel Alegre:
Manuel Alegre deveria descansar. E dar o seu lugar de candidato à liderança do Partido Socialista a Helena Roseta.
Helena Roseta seria uma excelente líder do Partido Socialista. E seria perfeitamente capaz, também, de levar o PS à vitória nas autárquicas e nas legislativas.
Publicado por: António Duarte Bento em agosto 3, 2004 03:12 AM
Meu Caro Manuel Alegre,
Com um abraço amigo e solidário aqui te deixo disponibilazado o meu apoio à tua Candidatura a Sec. Geral do PS.
O meu apoio de pouco te vale mas é fraterno, solidário e sincero.
Artur dos Reis Baptista,
Militante Nº. 6463 da Secção do Limeiro -
Prof. Cat. de Ciência Económica
Publicado por: Prof. ARTUR REIS BAPTISTA em agosto 3, 2004 10:55 AM
Caro Camarada
Pelo respeito profundo que tenho por si, pelo seu contributo para a historia de resistencia neste país, pela sua intelengia e sua postura integra ao longo destes anos que tenho o privilégio de o conhecer como um dos maiores poetas do nosso Portugal, deixe-me dizer-lhe que não acredito na sua candidatura, porque a história mudou, o país mudou, é preciso "sangue novo" no PS.Não me leve a mal, mas é a minha simples opinião.
Aceite um abraço amigo.
José Carlos Alegre
Publicado por: Jose Carlos Alegre em agosto 3, 2004 02:06 PM
nfelgueiras.blogspot.com
Visitem
Publicado por: nana em agosto 3, 2004 04:58 PM
...HEI-DE PASSAR NAS CIDADES
COMO O VENTO NAS AREIAS
E ABRIR TODAS AS JANELAS
E ABRIR TODAS AS CADEIAS...
(in Fado Meu Amor é marinheiro, de Manuel Alegre,para Amália Rodrigues)
E a verdade, é que O POETA "passar nas cidades, como o vento nas areias..."
O que acontece é que ALEGRE não tem as "qualidades" necessárias ´para ser-se politico hoje em dia- A Hipocrisia/ A Falsidade/ A incoerencia/A Ambição/A Falácia.
Publicado por: Valeria Mendez em agosto 3, 2004 05:39 PM
Parece é que toda a gente tem memória muito curta, como é habitual, infelizmente.
Claro que Manuel Alegre tem todas as qualidades para ser candidato a qualquer lugar político neste país.
O problema é outro. Mas se as pessoas já se esqueceram do facto/problema que me leva a dizer isto, não vou ser eu a revelar, pelo menos claramente, o tal problema.
Somente, por amizade e honra por Manuel Alegre, pelo seu total bem-estar (e Manuel Alegre já está na História de Portugal), é que eu me atrevo a sugerir que não se candidate. E candidatando-se no seu lugar, pelo mesmo ideário, a Arquitecta Helena Roseta.
E Helena Roseta nunca seria uma candidata menor, antes pelo contrário. Helena Roseta é aquilo que os portugueses chamam "uma mulher de armas". Todas as mulheres do povo deste país votariam facilmente nela. E felizmente que, no essencial, os homens portugueses já deixaram de ser machistas primários. Também eles votariam nela.
Helena Roseta, com a sua força e o seu ideário, ergueria bem alto em Portugal a bandeira do Socialismo, e o povo votaria maioritariamente nesta bandeira.
E também faz falta "uma mulher de armas" a dirigir o PS. (Talvez os homens do PS ficassem menos "lobos")
Publicado por: António Duarte Bento em agosto 4, 2004 02:42 AM