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agosto 10, 2004
Sócrates contra Sócrates ou o pequeno enigma
por Josias Gil, 07/08/2004
Sócrates, o grego, que apesar de ter 2500 anos e ser filósofo, ainda é muito mais notável do que o nosso homónimo engenheiro, seguia o lema "Conhece-te a ti mesmo". Sócrates deu a própria vida para que a verdade fosse por todos alcançada. Colocava perguntas incómodas, cujas possíveis respostas conduziam os seus interlocutores a um de dois possíveis resultados: ou à descoberta da verdade, ou então ao desmascaramento do engano com que tantas vezes se encobre a mesma verdade. Foi essa ousadia junto dos poderosos que o deitou a perder...
Manuel Alegre, que, no Portugal do século XXI, é quase tão famoso como Sócrates na Grécia do século V antes de Cristo - apesar de não ser filósofo - colocou uma questão socrática ao nosso engenheiro Sócrates: José Sócrates, que está a tentar confundir estas eleições para secretário geral do Partido Socialista, com umas primárias para primeiro ministro, se ganhar esta eleição agora, e depois as legislativas com maioria relativa, como irá garantir a estabilidade governativa. Que acordos irá fazer? Com a direita? Com a esquerda? Com mais um queijo Limiano, ou uma qualquer alheira de Mirandela?..
O nosso Sócrates, pelo seu director de campanha, deu uma resposta contra o próprio Sócrates. Procurou esconder a verdade, criando um pequeno enigma: o que irá fazer nessa possibilidade?!.... Que disse então o nosso engenheiro Sócrates?!...
Disse que responder à pergunta era um sinal de fraqueza, pois era admitir a possibilidade de não vencer as futuras legislativas com maioria absoluta. Isto cá para nós, realmente, não passa pela cabeça de nenhum português que se preze, que o PS ganhe as próximas legislativas apenas com maioria relativa!... É algo de absolutamente impensável!!! E muito menos por um candidato a primeiro ministro!...
Com esta resposta Sócrates revelou-se:
Disse-nos que usa uma política de tosca dissimulação. O esforço para esconder o que iria fazer é um notável contributo para o sabermos: Vê-se, à evidência, pela sua resposta, que Sócrates repetiria o erro de Guterres: negociando, ao "bom" estilo utilitarista, com aqueles que, no imediato, lhe oferecessem melhor e mais fácil resultado.
Disse-nos que, para si, o Partido Socialista e a política é um jogo em que se molda a táctica às circunstâncias, procurando surpreender o adversário, e consequentemente o público. Talvez se comece a perceber porque não quer debates abertos ao exterior... Mas, mesmo neste plano, Sócrates é mau jogador: denuncia-se demasiado...
Disse que, para si, a diferença entre a esquerda e a direita se resume a um mero posicionamento relativo no tabuleiro do xadrez da política. O seu valor é variável em função do contributo que cada uma das forças políticas lhe possa dar para as pequenas vitórias de circunstância.
Disse, enfim, que seria o senhor que se segue neste enfadonho desfile dos servidores do neoliberalismo e dos seus beneficiários líquidos, que têm passado e continuam a passar, com cada vez mais despudor, pelos governos de Portugal.
Com aquela incómoda pergunta, Alegre trouxe-nos o terrível moscardo socrático, que espicaça as consciências e denuncia as falsificações. Virou Sócrates contra Sócrates e os socialistas para o problema da sua própria identidade, conhecendo-se a si mesmos.
Publicado por Manuel Alegre às agosto 10, 2004 05:44 PM
Comentários
Pronto! Temos três bons candidatos. Poderiam ser até mais... pois seria um sinal de vitalidade no Partido Socialista. Espero que esta luta não se transforme em guerra porque de guerras já chega e o debate das ideias, no partido, ainda agora começou.
Pelo meu lado, estarei atento até ao momento de votar. Porém, talvez por ser mais um humilde poeta, por tanto admirar Manuel Alegre já fiz a minha pré escolha: Voto em Manuel Alegre.
Mas não voto só no poeta! Voto no combatente! Voto na rosa! Voto no resistente!
Manuel Alegre é um porta-estandarte da esquerda em Portugal. Manuel Alegre é recruta, soldado, general. Apoio a sua candidatura! Por mais dura que seja a luta; por mais “boas vontades” existam para que te vás embora, agora, só há um caminho a percorrer: Seguir, ir e vencer!
Pela fraternidade universal, quando o homem quiser:Filho de um Deus qualquer!
FILHO DE UM DEUS QUALQUER!
Se a minha voz aos céus chegara
Nada mais na terra teria, para ser feliz!
Saber voar, sonhar, então quisera,
Para fazer a paz como sempre quis!
Tal como num sonho ou numa quimera
Descesse eu dos céus numa flor-de-lis
Trazendo comigo a fértil Primavera
Abençoando os povos de qualquer país.
Que seja eu filho de um Deus qualquer.
(Filho de um homem e de uma mulher!)
-Venho dos Céus, onde a paz impera!
A minha religião é fraterna e universal!
Só quero o amor numa entrega total!
Espírito da paz desce de novo à terra!
29-07-2004 20:20
Rogério Simões
Publicado por: Rogério Simões em agosto 10, 2004 07:22 PM
Já leram o artigo de Francisco Assis sobre o "conservadorismo da mente", publicado, hoje, no Jornal de Notícias?!... É um artigo digno de merecer o prémio da cabutinisse. Francisco Assis esqueceu-se do que dizia do aparelhismo (quando Orlando Gaspar o atacou de forma violente) e, agora, repete o que as saraivadas do ex-jornalista que apoia Orlando Gaspar dizem.
Francisco Assis faz crer que vai ser o nº 2 de Sócrates. Seria bem empregue! Mas, o pior é para o PS. Por onde passa a vaquidade da lábia de Francisco Assis desaparecem os apoios ao PS. Assim aconteceu no Marco, em Amarante e no próprio Distritodo Porto, onde é visto como uma metrelhadora falante. A sua incapacidade de liderar seja o que for está bem patente nos acontecimentos da lota de Matosinhos e na falta de orientação política na Federação Distrital do Porto.
Publicado por: jbmgalhães em agosto 10, 2004 09:32 PM
PS NO SEU MELHOR
Ainda a silly season começou, e os sintomas reveladores desta postura de guerrilha institucional interna torna o Partido Socialista um verdadeiro calvário para os seus dirigentes.
Quando existe espaço para afirmação, quando Manuel Alegre assumiu com coragem a possibilidade de entrentar nas urnas os seus opositores, as adversidades deveriam ter ficado para trás, as diferenças deveriam ter sido debatidas com dignidade, e o resultado eleitoral deveria ser fruto dum salutar afirmar de posições. Mas parece que os posicionamentos assumem particular relevância neste momento, e o risco de entrarmos definitivamente por um caminho de conflito é por demais evidente. Faça-se luz, não só de filosofia barata, para que o desejável e saudável esgrimir de argumentos ideológicos, estratégicos e programáticos sejam o resultado dum verdadeiro Partido Socialista Moderno.
Publicado por: José Pedro Rodrigues em agosto 11, 2004 11:39 AM
É um cliché barato, dar à filosofia uma conotação depreciativa. Para acrescentar mais um pensamento de filosofia "barata": o conflito é o pensamento de deus e o motor da vida! Se Heraclito não o disse nestes termos, disse-o noutros.
Publicado por: Josias Gil em agosto 11, 2004 04:39 PM
Os males de que foges estão em ti, in Seneca.
O meu amigo, reparo hoje, está em todos os comentários do blogue. Deve ser esse o seu papel na candidatura de José Sócrates.
Não lhe dou os parabéns.
Publicado por: José SILVA CABRAL em agosto 16, 2004 11:01 AM
Estava a referir-me ao camarada José Pedro Rodrigues.
Publicado por: José SILVA CABRAL em agosto 16, 2004 11:02 AM
Ainda bem que este senhor José Pedro Rodrigues não perde uma oportunidade de debitar as suas sentenças "socráticas" - refiro-me ao nosso engenheiro e não ao filósofo grego. Esta sofreguidão bloguista anti-Alegre, só tem vantagens!:
1. Estimula o debate;
2. É uma demonstração prática dos métodos, de um certo estilo de combatentes "socráticos", tão bem ilustrado pelo perfil intelectual do bloguista em apreciação;
3. Acentua o contraste entre as candidaturas em confronto: Alegre e Soares com blogues onde qualquer um - até o José Pedro Rodrigues!... - pode expor os seus pontos de vista, confrontando ideias em liberdade, e Sócrates, com um site limitando ao envio de textos por fax ou email, que depois são seleccionados, saíndo a público exclusivamente os de apologia ao candidato. "Pela aragem se vê o que vai na carruagem..."
4. Estas diatribes dão, apesar de tudo, um certo aspecto "alegre", que torna isto menos enfadonho! E confesso que me tenho divertido ao assistir à paciência de José Silva Cabral para reduzir a pó a arrogância intelectual e a perversidade ética, ao jeito de um qualquer "triste" Diácono Remédios, de que José Pedro Rodrigues tem sido um divertido exemplar!
Publicado por: Josias Gil em agosto 16, 2004 02:17 PM
APOLOGIA DO BLOG
Estamos conversados!!!
Evocar a necessidadde de debate, mas criticar a participação no blog; Reduzir a pó a "arrogância intelectual", mas alimentar uma superioridade intelectual que faz lembrar as perversões do Diácono Remédios, torna bem o espelho de quem faz tais afirmações.
Meus caros Josias Gil e Silva Cabral, as sentenças e as afirmações que proferem, sem sentido, não representam papel nenhum.
Resta saber qual é o vosso!
Publicado por: José Pedro Rodrigues em agosto 16, 2004 09:50 PM
Caro camarada Rodrigues. só uma precisão: eu não critiquei a sua participação no blog! Eu elogiei!... Só tem vantagens! Critiquei foi a atitude e o conteúdo manifestados nessa participação. Mas, aceite, por favor, a virtude da discórdia como estimulante da consciência crítica, mesmo se suportada por alguns disparates.
No Partido Socialista a palavra está democratizada. Cada qual diz o que lhe vai na alma, toda a gente ouve e alguns lêem - ou, pelo menos, dão a entender que o fazem...
Pena é que o seu Sócrates não tenha um fórum destes, aberto e de livre expressão!... Mas também ninguém é perfeito...
Publicado por: Josias Gil em agosto 17, 2004 01:29 AM
Gostaria de imaginar o porquê de terem retirado o texto que assinei a responder às palermices do Josias Gil "Socrates contra Sócrates". Tudo seria muito lindo se porventura se não soubesse como se tem dependurado em tudo o que são benesses.
Publicado por: José Silva em agosto 19, 2004 04:18 PM
Excellent, that was really well explained and helpful
Publicado por: best casino em agosto 30, 2004 04:04 PM
Este personagem, que se dá por José Silva, e do qual se desconhece qualquer impressão digital, nem que seja ao de leve, impressa no mundo real, daria algum crédito se se identificasse e acrescentasse um só facto comprovável e ilustrativo das suas insinuações. Como não o faz, as suas palavras não passam de ruído. Poderiam ter alguma graça numa tosca caricatura de alguma peça de Becket ou de Ionesco mas, como a luta política é coisa séria e nunca como agora, com Manuel Alegre, esteve tão claro o sentido para o Partido Socialista e para a esquerda, neste Portugal democrático, este tipo de ruído sem sentido não passa de lixo, que só merece resposta, pelo respeito que tenho por este fórum.
Publicado por: josias gil em setembro 7, 2004 01:19 AM