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agosto 11, 2004

Uma Campanha Alegre

A Pressa de Encomendar

Nesta campanha para SGPS há coisas que me intrigam e uma delas é a adesão de algumas figuras a candidaturas que, tanto quanto se lhes conhece do passado político e ideológico, nada têm a ver consigo.
Por exemplo, Sérgio Sousa Pinto seria visto ou em apoio a João Soares, não pelo dito mas pela proximidade que dizem ter com o seu pai, Mário, ou em apoio a Manuel Alegre, com quem estará mais próximo a nível de ideias do que com Sócrates . António Campos, por exemplo, via-se melhor junto a Soares (pai) e este junto a Alegre, do que, respectivamente, junto a Sócrates e Soares (filho). E muitos mais casos se poderão referir.
O que se passou foi que, estando mais ou menos toda a gente consciente que Ferro era uma liderança de transição, os espíritos foram-se preparando para as alternativas conhecidas (Sócrates, Soares, Coelho, Seguro, Vitorino), sondando aberturas e granjeando compromissos preliminares e quando os não interessados disseram não estar na corrida, apressaram-se a marcar posição junto dos candidatos existentes, Soares e Sócrates.
Havia uma dicotomia e quem não pendesse para um, teria de apoiar o outro.
Sócrates garantia que pouco ou nada mexeria no Aparelho e todo o Aparelho lhe foi prestar vassalagem; reuniu também os soarófobos, que alguns há.
Soares garantia um regresso a um PS republicano, laico e socialista e os socratófobos, que também existem, trataram de lhe dar o conforto do seu apoio.
Todos esses ansiosos se precipitaram no pressuposto de, no menu, apenas haver estes dois pratos do dia. Quando surgiu a 3ª candidatura, a do Manuel Alegre, já haviam encomendado....
Donde, agora, se verem conhecidos macrobióticos a baterem-se com uma realíssima feijoada à transmontana.....

António Sérgio Pessoa

Publicado por Manuel Alegre às agosto 11, 2004 01:08 PM

Comentários

Todos já fizeram a encomenda. Mas ainda podem voltar atrás. O voto é secreto e estão ainda a tempo de pensar duas vezes.

Publicado por: António José em agosto 12, 2004 01:01 AM

Acertas sempre no alvo, meu caro António. Sempre no alvo...

Publicado por: Luís Natal Marques em agosto 12, 2004 12:28 PM

Achei um dia ingenuamente que todo o meu brio profissional me iria dar bons frutos, colhidos no esforço diário do meu correcto trabalho.

Acreditei que o facto de não participar nas conversas de corredor e nas más-línguas venenosas me traria os louros de quem não vai em tricas, de quem não tira vantagem da fraqueza e silêncio dos que profissionalmente são mais tímidos.

Supus erradamente que seria valorizada se cumprisse com o que me era solicitado, não me ausentasse sem prévia justificação e posterior comprovada declaração estatal.

Ando nisto há uns quatro anos e parece-me hoje que os lambe-botas, as coscuvilheiras, as costas quentes, as faltas de respeito e ausência de boa educação, os atrasos na apresentação de resultados, as facadas pelas costas, tudo isto é premiado.

O sujo mundo empresarial português move-se em areias de lodo e novatos que apreciam o engolir de sapos.

Uma das frases que mais me chocou até hoje tomou lugar aquando de um chefe de direcção ter proferido após tentativa frustrada de férias à aprovação “sabes onde podes metê-las todas? Pela anilha. Eu quero é que vocês todos metam as férias pelo cu!” não necessita de qualquer género de comentário. Vivemos numa sociedade machista e altruísta que crê que tudo sabe e tudo pode, que em nada abdica do seu modo de ver a vida e de todos faz seus animais domésticos à luz de uma lei do trabalho cada vez mais do seu lado.

Este governo, o anterior e o anterior a esse talvez jamais tenham reflectido sobre o poder que colocaram nas mãos de um patronato desmerecedor, desvalorizador das qualidades humanas e profissionais, caracterizante pelo seu gosto no baixo valor da mão-de-obra técnica a todo e qualquer custo.

Um dia acreditei que apesar da máquina estar envenenada, houvessem parafusos, roldanas até que tentassem que tudo se engrenasse cuidadosamente, sem quebras ou ausência de humanidade.

Um dia pode ser que, apesar de nos estarem a retirar (os deveres fundamentais do estado) a pouco e pouco todos os direitos, a possibilidade de declarar despesas de saúde e educação e por ser a pouco e pouco nós nem reparemos e andemos a engolir a pouco-e-pouco o que nos tiram, o como nos deixam de bolsos vazios e ambições flageladas. Haja um dia uma voz, alguém que emergisse do fundo do poço e gritasse aflito de dor, mesmo assim constrangido por ter de pedir o que um dia lhe era seu e outras vozes ser lhe ajuntem, engrossando uma vontade, um direito, quem sabe outra revolução.

Hoje entristece-me que quem trabalha é quem não vê crescer a sua árvore utópica e interina de desejo de ser feliz e desejar continuar esse projecto na ambição de crescimento de todos por um e um por todos.

Peço desde já desculpa pela acidez-afectiva nas palavras espelho de um frio e desabitado coração.

Publicado por: blueseaisme em agosto 16, 2004 11:18 AM