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agosto 11, 2004
"Uma indispensável clarificação"
A ideia fundamental implícita no artigo "Uma indispensável clarificação" de José Socrates, publicado no DN de 4 da Agosto é a de que para ganhar as eleições legislativas de Outubro de 2006 o PS precisa, desde já (no próximo Congresso), de designar o seu "candidato a Primeiro Ministro".
Discordo desta ideia pelas razões seguintes:
1-A mobilização de todos os seus militantes e a conciliação das suas correntes internas com vista às eleições autárquicas de 2005 é a grande tarefa em que se tem de empenhar o Secretário Geral do PS na sequência deste próximo Congresso . Paralelamente, o Partido deve-se ir preparando para as eleições legislativas de 2006. A designação prematura de um "candidato a Primeiro Ministro" não facilita, nem a conciliação interna, nem a preparação para as eleições de 2006.
2-Entre os Congressos, o orgão competente para definir as grandes linhas de orientação política do PS é a Comissão Nacional e não Secretário Geral. A Comissão Nacional do PS neste próximo Congresso não será, certamente, eleita por lista única como o foi em Congressos anteriores. Nela, José Socrates terá oportunidade de expor os seus pontos de vista e oportunidade, também, para ouvir os de outros. O PS é, aliás, soberano para, se o entender, convocar um XV Congresso no início de 2006 para, depois das eleições autárquicas, debater e aprovar a política nacional a apresentar ao país nas eleições legislativas de Outubro de 2006.
3-Ninguém sabe qual virá a ser a situação do país daqui a um ano. O provavel é que os problemas de fundo: má administração, economia, educação, saude, degradação ambiental, perda do património, endividamento das famílias e do país, desemprego, etc., estejam bastante agravados. Para ganhar as eleições daqui a dois anos o PS tem de apresentar ao país as suas propostas para estes problemas e tem de mostrar estar razoavelmente preparado para assumir a responsabilidade de o gerir na situação dificil em que se vai encontrar. Esta preparação exige alguma capacidade crítica de actuações passadas do próprio PS.
4- Face a um Santana Lopes, populista mas habil, e com a vantagem de estar no poder, um "candidato a Primeiro Ministro" do PS prematuramente designado que pretenda viver de efeitos mediáticos sem estar apoiado num partido verdadeiramente preparado, só poderá arrastar durante dois anos uma oposição não credivel e será, provavelmente, um candidato derrotado.
A proposta apresentada por José Socrates, no seu texto, de "um plano técnológico" é, manifestamente, por agora, uma proposta ainda muito vaga, que terá de ser precisada com mais cuidado. Sendo José Socrates engenheiro, gostaria de o ver dar, desde já, mais atenção ao problema do desaparecimento da indústria metalomecânica portuguesa. O anterior Governo de durão Barroso tinha uma Secretaria de Estado do Comércio, da Indústria e dos Serviços, o que revela a importância que atribuia à Indústria, que contínuará, certamente, a ser um dos factores fundamentais do progresso e da criação de riqueza das nações. Espero que um futuro governo do PS venha a ter, no mínimo, uma Secretaria de Estado da Indústria. Aproveitando sugestões vindas de vários lados, fico também à espera de que venha a ter uma Secretaria de Estado da Inovação, especializada em analisar e canalizar para diferentes destinos, sugestões e ideias que lhe sejam levadas pelos cidadãos desejosos de contribuir para o progresso do seu país.
(9 de Agosto de 2004)
António Brotas
Publicado por Manuel Alegre às agosto 11, 2004 12:59 PM
Comentários
Aos Camaradas Paula Rodrigues e mocho :
Um líder é aquele qu epela força das suas convicções, pela força do seu saber e inteligência consegue mobilizar a generalidade dos que, não estando em situação de fragilidade, optam livremente.Liderar é ser capaz de, sem sugerir nada em troca, arrastar multidões, é ser capaz de defender e levar à prática ideias e iniciativas com as quais uma grande generalidade das pessoas se identificam. Para isso é preciso ser credível, impoluto, acima de qualquer suspeita.
A actividade política está, hoje, de uma maneira que a primeira permissa dos cidadãos portugueses, mesmo antes de conhecer, é duvidar sistematicamente dos políticos. Porquê? Porque quando os portugueses mais deles precisam é quando a grande maioria deles os abandonam, assobiando para o lado, como se o pedestal financeiro em que se encontram os tornasse invisíveis.
Vitor Hugo dizia que " Saber exactamente qual a parte do futuro que pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo e de um governante fora-de-série ", ou seja, a dimensão da inteligência criativa, aliada à preparação pessoal de um político, a quem necessariamente se exige cultura, são essenciais.
Não reconheço a José Sócrates tal preparação. Sócrates é um batalhador, isso sei reconhecer ( não comento è as armas de luta ), Sócrates é um esforçado, mas isso é tudo muito pouco.
Verdadeiramente o que penso é que o nível de exigência que nos começamos a habituar a exigir está tão baixo que h+je temos José Sócrates a candidato a Secretário-Geral.
Pergunto apenas: o que Sócrtaes fez de relevante afinal no Ambiente ? Circulem pelos sites das Associações Ambientais para se esclarecerem melhor ...
E quanto ao resto ?
Já agora, não se esqueçam que Ferro Rodrigues foi classificado por variada imprensa como o Ministro mais bem cotado dos dois Governos de Guterres e, no entanto ...
" Aquele pensa que sabe muito, mas não sabe de nada, e a sua ignorância é tanta que nem sequer está em condições de saber aquilo que lhe falta "
in Fénelon , François
Publicado por: José SILVA CABRAL em agosto 19, 2004 03:04 PM