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<title>Manuel Alegre</title>
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<copyright>Copyright (c) 2005, HRoseta</copyright>
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<title>Novo site de Manuel Alegre</title>
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<email>helenaroseta@clix.pt</email>
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<![CDATA[<p><a href="http://www.manuelalegre.com">http://www.manuelalegre.com</a></p>]]>

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<title>O debate do dia 6 visto pelo DN</title>
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<summary type="text/plain">INÊS DAVID BASTOS analisou nos seguintes termos o debate a 3 em que Manuel Alegre teve papel destacado (DN, 7-09-04, sob o título :&quot;Três candidatos, duas visões do PS e da política&quot;): Foi bem aguerrido o debate travado na segunda-feira...</summary>
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<name>Manuel Alegre</name>


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<![CDATA[<p>INÊS DAVID BASTOS analisou nos seguintes termos o debate a 3 em que Manuel Alegre teve papel destacado (DN, 7-09-04, sob o título :"Três candidatos, duas visões do PS e da política"):<br />
Foi bem aguerrido o debate travado na segunda-feira à noite, num hotel de Lisboa, entre os três candidatos à liderança do PS. A sala encheu-se de militantes e os ânimos chegaram muitas vezes a aquecer, sobretudo quando José Sócrates defendeu um novo referendo ao aborto, depois de os seus adversários, João Soares e Manuel Alegre Alegre, terem rejeitado esta opção. Sócrates chegou mesmo a ser apupado, o que levou o moderador do debate, o líder da Federação da Área Urbana de Lisboa e presidente da Câmara da Amadora, Joaquim Raposo, a apelar à calma diversas vezes.</p>

<p>Eram três candidatos mas pareciam ser dois. Alegre a Soares estiveram em sintonia em quase tudo, quer fosse nas posições políticas, mais viradas para a ruptura, quer nos ataques a José Sócrates, que tentou passar uma imagem de moderação, mais institucional. </p>

<p>Enquanto João Soares e Manuel Alegre defenderam a demissão do PGR e a retirada imediata da GNR do Iraque, o ex-ministro do Ambiente do Governo PS afastou-se destas posições. «Mesmo quando discordo do PGR, não participo em linchamentos políticos», disse, afirmando em relação ao Iraque: «Não alinho na demagogia de a GNR vir já para casa, deve voltar quando acabarem os compromissos internacionais.»</p>

<p>Mas as diferenças não se ficaram por aqui. Soares e Alegre garantiram que lutarão pela maioria absoluta, mas não descartaram negociações pós-eleitorais com o PCP ou o BE. «A estabilidade também se pode construir à esquerda», disse Alegre. «Queremos um PS de porta aberta, sem inimigos à esquerda», reforçou Soares. Sócrates, que nunca falou em alianças, acusou os seus adversários de «enfraquecerem a acção» do partido.</p>

<p>O debate já ia longo - durou mais de três horas - quando Sócrates e Alegre entraram, de novo, em «picardia». O mote foi, primeiro, a questão presidencial. Sócrates disse não ter «dúvidas de que António Guterres é o melhor candidato». Alegre atirou: «O camarada só tem certezas, eu ainda tenho dúvidas.» O vice-presidente do Parlamento argumentou que é preciso saber previamente «quem será o candidato da direita» e acusou Sócrates de «usar o nome» de Guterres na disputa pela liderança do PS.</p>

<p>O segundo mote foi o silêncio de Alegre sobre a sua disponibilidade para ser candidato a primeiro-ministro. José Socrates insistiu numa clarificação, exortou o seu adversário a ser «transparente» e voltou a pressionar. Visivelmente irritado, o vice-presidente do Parlamento abriu o jogo: «Fique descansado, se o partido quiser serei candidato a primeiro-ministro.»</p>

<p>As questões internas também não geraram consenso. O ex-ministro do Ambiente criticou Alegre por se dirigir apenas «às classes médias empobrecidas». «O PS nasceu historicamente dos trabalhadores e eu não esqueço as minhas origens», ripostou Alegre. O candidato-poeta disse preto no branco que há «lógicas aparelhistas dentro do PS» e defendeu a renovação do partido. Sócrates negou essa acusação e considerou que o partido «deve ser fiel às suas posições de sempre». </p>

<p>O debate acabou como começou: com uma clara divisão entre o pensamento e estratégia de Sócrates, por um lado, e de Alegre e Soares, por outro. </p>]]>

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<title>MANUEL MARIA CARRILHO analisa &quot;Os Fantasmas da Verdade&quot;</title>
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<summary type="text/plain">Em artigo no Público(07 de Setembro de 2004),MANUEL MARIA CARRILHO analisa &quot;Os Fantasmas da Verdade&quot;,ajudando a impedir práticas de reescrita da História e a avaliar a postura das candidaturas e o mérito dos candidatos em campanha. O artigo responde ainda a um escrito de Arons de Carvalho.</summary>
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<![CDATA[<p>Em artigo no Público(07 de Setembro de 2004),MANUEL MARIA CARRILHO analisa "Os Fantasmas da Verdade",ajudando a impedir práticas de reescrita da História e a avaliar a postura das candidaturas e o mérito dos candidatos em campanha. O artigo responde ainda a um escrito de Arons de Carvalho.É do seguinte teor:</p>

<p>«O Partido Socialista prepara o seu congresso e a eleição, por sufrágio directo de todos os seus militantes, de um novo secretário-geral. Para quem pense que do congresso deve sair um novo projecto político a apresentar ao país, capaz de corrigir os erros do passado, de potenciar o muito que de bom se fez quando esteve no Governo e de inovar onde não tem havido ideias ou respostas, este período é decisivo. </p>

<p>Como também é decisivo para quem pense que, no que se refere ao novo secretário-geral, estas eleições servem, não para estender uma passadeira vermelha aos pés da ambição pessoal deste ou daquele militante por este ou para aquele cargo, mas para que o partido escolha alguém com capacidade para o servir em todas as circunstâncias - que, em política, como se sabe e bem se tem visto, são em geral muito imprevisíveis. </p>

<p>Se é disto que se trata, o debate entre os candidatos e os seus projectos é vital - e deve ser tão frontal como fraterno, tão exigente como generoso. É por isso deplorável a reiterada recusa de José Sócrates em fazer debates a dois com os outros candidatos, dando assim escusadamente razão a quem o acusa de só o fazer no modelo... "Dupont e Dupond"! </p>

<p>Neste contexto, é com prazer que respondo ao texto do Arons de Carvalho "Por um congresso sem fantasmas" (PÚBLICO, 22-08-04), e fá-lo-ei com a mesma exigência de verdade que pus no meu texto "A estratégia da alface", e que, pelo que agora verifiquei, Arons teve alguma dificuldade em compreender, amalgamando situações que nada têm a ver umas com as outras, a não ser no facto de se tratar de situações em que, como se sabe, o tempo fustigou os conformistas e me deu tanta razão... coisa que, esperemos, não se repita agora uma vez mais! </p>

<p>Devo contudo ao artigo de Arons de Carvalho ter-me ajudado a, num relance, decifrar um ponto determinante - trata-se de alguns problemas que a candidatura de José Sócrates tem com a verdade. </p>

<p>Passo a explicar: a reacção desta candidatura às múltiplas críticas que tem suscitado é, em geral, sempre do mesmo tipo. Procura-se iludir a duplicidade e o calculismo da sua longa e quase secreta preparação, pretende-se negar o ilegítimo aparelhismo da sua organização, tenta-se disfarçar o conformismo das suas propostas - e tudo isto se faz invocando o "fantástico" currículo do candidato. É isto, mais uma vez, o que Arons faz no seu texto, ao lembrar o "seu passado em matérias como o ambiente e a defesa do consumidor", etc. </p>

<p>Ora, quanto a isto, vale a pena fazer duas observações: uma, quanto ao que se apropria indevidamente, outra, quanto ao que omite deliberadamente. Ambos os pontos são, como veremos, reveladores de graves problemas com a verdade. </p>

<p>Quanto às apropriações: tem-se apresentado Sócrates como "o" ministro do Ambiente dos seis anos da governação socialista, a quem se deve praticamente tudo o que se fez no sector. Ora acontece, convém lembrá-lo por ser esta a verdade - e uma verdade que tem vindo a ser sistemática e intencionalmente deturpada -, que a tutela do Ambiente durante todo o primeiro Governo socialista (portanto, durante quatro anos) esteve nas mãos de Elisa Ferreira, a quem se deve o essencial do que a candidatura Sócrates anda agora a reclamar: a definição e o lançamento da estratégia da co-incineração, o fecho da quase totalidade das mais de 300 lixeiras que havia no país, mais que a duplicação da cobertura nacional do tratamento de esgotos, além de outras "pequenas" coisas como a definição da estratégia para a Cimeira de Quioto, a assinatura da Convenção das Águas com Espanha, a criação do Parque Natural do Douro internacional, o lançamento dos planos de bacia dos grandes rios internacionais, a criação dos grandes sistemas de abastecimento de águas (Águas do Douro e Paiva, Águas do Cávado, Águas do Algarve, etc.), o lançamento de todos os planos de ordenamento da orla costeira... e fiquemos por aqui. </p>

<p>Ninguém ignora o Polis, as facturas detalhadas ou o combate à droga, que José Sócrates ostenta, e bem, no seu currículo. Mas o modo como se tem expropriado Elisa Ferreira do seu notável mandato no Ministério do Ambiente entre 95 e 99 releva de uma torpe campanha de propaganda que nenhum socialista bem formado pode aceitar. Não direi que lembre Estaline a apagar Trotsky da fotografia, mas evoca sem dúvida Paulo Portas a apagar Freitas do Amaral da história do CDS/PP... num como noutro caso, trata-se de inaceitáveis falsificações da história para indevido proveito de alguém. </p>

<p>Quanto às omissões: para quem tantas vezes fala de si, é significativo o total silêncio sobre as responsabilidades que José Sócrates teve como ministro da tutela do audiovisual, isto é - entre muitas outras coisas -, da RTP, entre 1997 e 1999, justamente no período do maior colapso estratégico e financeiro da estação pública de televisão, com as tremendas consequências que ainda todos temos na memória. </p>

<p>É certo que este colapso convinha a quem defendia então (com argumentos neoliberais de fazer inveja a Morais Sarmento) a pura e simples extinção do serviço público de televisão. Ideia que só não avançou porque António Guterres foi felizmente mais sensível a outros argumentos e se manteve fiel à tradição e aos compromissos do PS! E também é certo que Arons de Carvalho foi o silencioso diácono de Sócrates durante todo este período. Como tal, não deixará - estou certo - de reconhecer que fica mal, num currículo tão cuidado, uma tão estranha omissão. </p>

<p>Tudo pode acontecer, mas seria grave que o PS pudesse um dia ser conduzido por alguém que anda por aí com um currículo em parte surripiado, em parte escondido! - são estes os "fantasmas" que, compreensivelmente, Arons de Carvalho teme que rondem o próximo congresso socialista. »</p>

<p>  </p>]]>

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<title>«Onda de esperança» enerva adversários , reporta o DN</title>
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<summary type="text/plain">Segundo o DN (pela pena de João Fonseca): A candidatura de Manuel Alegre à liderança do PS «criou uma onda de esperança» e uma «nova dinâmica dentro e fora do partido» e isso parece ter gerado um «grande nervosismo» entre...</summary>
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<![CDATA[<p>Segundo o DN (pela pena de João Fonseca):<br />
A candidatura de Manuel Alegre à liderança do PS «criou uma onda de esperança» e uma «nova dinâmica dentro e fora do partido» e isso parece ter gerado um «grande nervosismo» entre apoiantes de José Sócrates, diz o vice-presidente da Assembleia da República.</p>

<p>Manuel Alegre, que falava ontem, ao final da tarde, em Coimbra, numa conferência de imprensa para fazer um balanço da sua campanha, compreende esse «nervosismo», pois muitos daqueles socialistas «julgavam que havia um tapete vermelho para um candidato a secretário-geral», mas, adverte, «não se deve confundir crítica e combate político com maledicência» ou «insulto».</p>

<p>É bom que Sócrates diga aos seus apoiantes para se conterem, apela Alegre, considerando que António Costa «ultrapassou os limites da boa educação», numa sessão, anteontem à noite, no Cacém. «O debate político é sempre acalorado, mas há limites para tudo e às vezes pisa-se o risco», diz o candidato, sublinhando que «uma coisa é a crítica política, outra é o insulto».</p>

<p>Este comportamento faz parte, na perspectiva de Manuel Alegre, de uma estratégia adoptada pela candidatura de Sócrates, no sentido da «autovitimização» e «intimidação», para condicionar o debate político no seio do PS, mas, garante, nada fará com que altere os propósitos da sua candidatura. «Ninguém me calará» nem «impedirá de transmitir aquilo que muitos camaradas me têm dito», como, por exemplo, sobre «situações pouco claras» nalgumas concelhias e cuja denúncia fez com que alguns dos seus «camaradas» o acusassem de atacar os autarcas socialistas.<br />
</p>]]>

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<title>Manuel Alegre em Coimbra. &quot;&quot;Nunca fiz nenhum ataque aos autarcas do Partido Socialista.&quot;</title>
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<summary type="text/plain">O Público descreve a deslocação de MA a Coimbra, na edição de 04 de Setembro de 2004 (sob o título &quot;Alegre Fala em &quot;Onda&quot; à Volta da Sua Campanha&quot;, nos termos seguintes: «Foi um Manuel Alegre entusiasmado aquele que apresentou...</summary>
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<![CDATA[<p>O Público descreve a deslocação de MA a Coimbra, na edição de  04 de Setembro de 2004 (sob o título "Alegre Fala em "Onda" à Volta da Sua Campanha", nos termos seguintes:  </p>

<p><br />
«Foi um Manuel Alegre entusiasmado aquele que apresentou ontem à imprensa, em Coimbra, um balanço da sua candidatura a secretário-geral do PS. "Podemos falar em onda, que neste momento está a atravessar o país, dentro e fora do Partido Socialista", disse. Segundo o candidato, "há pessoas que nesta altura se estão a filiar ou a refiliar no partido". Um movimento que considera "moralmente reconfortante" e que o obriga a corresponder às expectativas: "Esta candidatura criou uma esperança e isso redobrou a minha responsabilidade." </p>

<p>E pelo menos no que toca a presenças para ouvir os três candidatos, Manuel Alegre considera-se à frente de João Soares e José Sócrates. "As salas têm estado cheias em toda a parte, as nossas sessões têm tido mais pessoas do que os outros candidatos juntos." Perante este clima, sente "grande nervosismo" nos seus adversários. "O que me parece é que alguns camaradas estão com medo de não ganhar." E referindo-se em concreto a José Sócrates: "Compreendemos que haja um certo nervosismo porque pensavam que havia um candidato com uma passadeira vermelha." </p>

<p>Durante a campanha terão chegado relatos à candidatura de militantes que foram ameaçados de perder o emprego caso votassem em Manuel Alegre, o que suscita a sua indignação e uma correcção. "Nunca fiz nenhum ataque aos autarcas do Partido Socialista. O que temos dito é que não aceitamos situações pouco claras dentro do PS. Ninguém me calará, nem ninguém me impedirá de dizer o que ouvimos", afirmou. Na sua opinião, a "falsa acusação" de que teria atacado os autarcas do PS, faz parte de uma estratégia de "intimidação" e "auto-vitimização" por parte da candidatura de Sócrates. </p>

<p>O vice-presidente da Assembleia da República referiu-se ainda a Jorge Coelho, que o acusara de ser favorável a uma "frente de esquerda". "Nós nunca defendemos uma frente de esquerda, o que disse é que se não tivéssemos uma maioria absoluta, devíamos criar condições de governabilidade", clarificou, exortando Sócrates a esclarecer este ponto. Por último, considerou "absurda" a hipótese de desistir da corrida à liderança do PS a favor de João Soares. A.R. <br />
</p>]]>

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<title>O VERDADEIRO PS</title>
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<summary type="text/plain">João Cardoso    
Membro do Secretariado e da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de S.João da Madeira                           </summary>
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<name>Manuel Alegre</name>


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<![CDATA[<p>Na sequência do pedido de demissão do Dr. Ferro Rodrigues de secretário-geral do PS, abriu-se o processo de eleições internas a fim de eleger um novo líder no congresso, que se irá realizar no primeiro fim de semana de Outubro na cidade de Guimarães. Esse líder irá ser eleito pelo voto directo dos militantes que neste momento constituem o universo Socialista, tendo no seu campo de escolha três candidatos, que concorrem num acto de salutar pluralismo democrático, e que se espera trazer um novo impulso ao debate político nesta era do unanimismo e conformismo dominante. A candidatura de Manuel Alegre constitui o renascer do verdadeiro Partido Socialista, adaptado aos novos desafios desta sociedade de globalização desregulamentada. É  um realinhamento político urgente e necessário nesta época de fuga sistemática dos vários partidos de poder, entre os quais, o Partido Socialista para o chamado &#8220;Centro Político&#8221;, esse chavão que é utilizado para aplicar certas medidas de mera continuidade do modelo implantado na civilização ocidental, e cujo os resultados estão á vista; o desemprego dispara para valores nunca vistos, a pobreza e a exclusão aumenta, a criminalidade dispara em todos os parâmetros, a riqueza concentrada é maior nos mesmos agentes que a detinham, os interesses económicos sobrepõem-se a qualquer outro tipo de interesse, o valor do ser humano é medido pela quantidade de bens materiais que possui, e não por valores de mérito, conhecimento, e de ética. <br />
A moção de orientação política apresentada por Manuel Alegre é oportuna, corajosa, desprendida de qualquer interesse, e necessariamente de ruptura com a situação vigente,  no PS, e por extensão no País. Os vários pilares em que assenta as suas propostas, são  bem o exemplo disso. Um novo Contrato Social assente na igualdade entre mulheres e homens, assim como na promoção efectiva de uma Sociedade Cosmopolita e de Integração Total, a criação de um Seguro Social Obrigatório abrangendo todos cidadãos, a reconstrução do Rendimento Social de Inserção, a melhoria das protecções em caso de Doença, o acesso à Saúde Reprodutiva, o incremento numa política inclusiva de Habitação, o combate sem tréguas ás diversas formas de Pobreza em todas as suas vertentes, a revisão da lei de Bases da Segurança Social,  a necessária consolidação das Finanças Públicas sem pôr em risco a Coesão Social de Portugal, a aposta num Ensino Público básico e secundário de grande qualidade, o desenvolvimento de Políticas de Segunda Oportunidade, e o combate á excessiva concentração dos media, para salvaguardar a necessária Liberdade de Informação de uma Sociedade Democrática. São ideias de um homem com um passado que fala por si, com  grande cultura cívica, e com uma visão humanista actual e de futuro, dos problemas que a Sociedade contemporânea se confronta.</p>

<p>João Cardoso    <br />
Membro do Secretariado e da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de S.João da Madeira                           </p>]]>

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<title>&quot;O que mudou no PS&quot;- Helena Roseta faz balanço da campanha</title>
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<modified>2005-09-25T17:15:54Z</modified>
<issued>2004-09-01T19:31:22Z</issued>
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<summary type="text/plain">Na edição do Público de 31 de Agosto de 2004, HELENA ROSETA escreveu um artigo de opinião que vale também como balanço de campanha: 1. A eleição de um novo Secretário-geral do PS parecia estar decidida quando José Sócrates confirmou...</summary>
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<name>José Magalhães</name>

<email>zmaglh@hotmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Na edição do Público de 31 de Agosto de 2004, HELENA ROSETA<br />
escreveu um artigo de opinião que vale também como balanço de campanha:  </p>

<p>1. A eleição de um novo Secretário-geral do PS parecia estar decidida quando José Sócrates confirmou a sua candidatura. Estava tudo no seu lugar. Um candidato da continuidade guterrista, escolhido por meia dúzia de pessoas à mesa de um almoço na Curia. Sócrates estava destinado a repor ordem no PS, depois do intervalo de Ferro Rodrigues, perseguido como nenhum outro político em Portugal, mal amado pelo partido, etiquetado de "líder a prazo" apesar dos sucessivos êxitos eleitorais. O candidato da oposição interna, João Soares, também era previsível. Já se tinha perfilado durante o tempo de Ferro Rodrigues sem suscitar entusiasmo. O calendário da sucessão estava definido: em finais de Agosto estaria tudo decidido, no recato interno, longe das polémicas da comunicação social. O voto directo dos militantes pouco mais seria que uma ratificação. Tudo se passaria durante as férias e com as secções do partido encerradas. </p>

<p>2. A candidatura de Manuel Alegre alterou os dados do problema. Começou-se por convencer a Comissão Nacional do PS a alargar os prazos processuais para garantir um mínimo de participação. Depois Manuel Alegre apresentou-se como uma candidatura de mudança, no PS e no país. Propôs-se combater a visão aparelhística do partido, insistiu nos debates abertos à comunicação social. Sócrates reagiu mal, mas teve que ceder. Alegre foi o primeiro a apresentar a sua moção. Nela avançou, entre muitas outras propostas para modernizar Portugal, duas ideias-força: uma nova visão do papel do Estado e uma nova maioria política para governar. </p>

<p>3. Ao Estado mínimo que a direita defende e aplica, contrapôs Manuel Alegre o Estado estratega, com um papel relevante na definição de objectivos nacionais para o crescimento económico. Crescimento que é inseparável da inovação, o que implica que o Estado estratega seja também o Estado da inovação, capaz de garantir um processo tranversal de abertura à inovação e ao risco em toda a sociedade, o que é muito mais vasto do que o plano tecnológico de que falou Sócrates. As novas missões do Estado na economia vão muito além do simples papel regulador dos mercados, a que na década de 90 se reduziu o discurso socialista na Europa e em Portugal. </p>

<p>4. Manuel Alegre também falou com toda a clareza contra o "centrão". É sabido que o centro sociológico vai atrás das dinâmicas de vitória. Face à crise económica e social, o centro sociológico em Portugal está a "pedir" uma alternativa à governação da direita, como se viu nas eleições europeias. Não se combate a direita com mais do mesmo ou com uma simples alternância de poder. A estabilidade, para Manuel Alegre, pode construir-se à esquerda e essa é a missão histórica do PS nos próximos anos. </p>

<p>5. A recusa do centrão, o cansaço das pessoas perante a "alternância sem alternativa" e a frustração com a deriva tacticista da fase final dos governos minoritários de Guterres criaram condições para que as posições de Alegre desencadeassem uma nova esperança, não só no PS mas no eleitorado de esquerda. Tristes ou mesmo zangados com a decisão de Sampaio de reconduzir a direita no poder sem eleições, os eleitores da esquerda ouviram pela primeira vez desde o 25 de Abril um potencial líder do PS afirmar aquilo que nunca foi experimentado em 30 anos: a possibilidade de construir uma alternativa em que toda a esquerda se reconheça e que por isso mesmo possa mobilizar a maioria social e política do país. </p>

<p>6. Foi por perceber isto que Sócrates, para quem a ideia do diálogo à esquerda era tabu, acabou por mudar de ideias e incorporar esse diálogo na sua moção, embora de forma sub-reptícia. A candidatura de Alegre conseguiu assim mudar a agenda do PS. E ao mudar a agenda do partido, criou condições para mudar o país. </p>

<p>7. Não se consegue mudar o país se não se mudarem os partidos que dominam o espaço da decisão política. Maus partidos fazem uma má democracia. E com má democracia não pode haver verdadeiro desenvolvimento económico, cultural e social. Por isso as propostas de Manuel Alegre para a reforma interna do PS são radicais. Lutar contra o aparelhismo, criar mecanismos de participação permanentes, aumentar a transparência interna, instituir a paridade de género a todos os níveis, pôr termo à acumulação de mandatos, obrigar os eleitos partidários a apresentar declarações de interesse, cortar com a cumplicidade ou mesmo promiscuidade entre comissões concelhias, autarquias e construção civil. São propostas que incomodam mas que estão a gerar uma onda de grande adesão junto de militantes e simpatizantes socialistas. Basta acompanhar as acções de Manuel Alegre no terreno para verificar isso. Salas cheias em todo o lado, entusiasmo e militância contrastam com a campanha morna do candidato "oficial". </p>

<p>8. Tudo isto faz prever que as eleições do PS possam trazer resultados surpreendentes. Maior participação, menor abstenção, podem alterar todos os cenários. Nenhuma vitória antecipada está garantida. A vitória a que Manuel Alegre se referia, ao dizer que a sua candidatura "já ganhou", é outra: já mudou a agenda e já fez renascer a esperança. Seja qual for o resultado do Congresso, Manuel Alegre já averbou um sucesso imprevisível há um mês atrás. Acabou com o tabu da impossibilidade de uma maioria de esquerda em Portugal. E isso pode vir a mudar tudo. <br />
</p>]]>

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<title> Quando a Direita Pensa a Esquerda  - um bom tema para debate</title>
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<modified>2005-09-25T17:10:52Z</modified>
<issued>2004-08-30T15:39:44Z</issued>
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<summary type="text/plain">A questão da memória e do passado não vale como programa para hoje, mas, sim, como ponto de partida que enraíza numa certa tradição da esquerda e que dá  uma densidade cultural e doutrinária que Sócrates não parece ter </summary>
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<name>Manuel Alegre</name>


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<![CDATA[<p><br />
 EDUARDO PRADO COELHO, na sua coluna no Público (30 de Agosto de 2004),reflecte sobre temas relevantes para o debate em curso no PS.Que avaliação deve ser feita dos anos de governação do PS, sob a liderança de António Guterres? Qual o significado actual dessa fase da vida do PS? Como se posicionam os vários candidatos perante as opções tomadas nesse período histórico? O que diferencia os candidatos?</p>

<p>Segue-se o texto integral, aberto a comentários:</p>

<p>«Um dos aspectos mais curiosos no actual debate no interior do Partido Socialista, na disputa para o lugar de secretário-geral, é que a direita não se cansa de teorizar sobre o que a esquerda não deveria ser, e, de um modo mais tímido, sobre o que a esquerda deveria ser. Ora qual é a conclusão desta aturada reflexão? Vendo os teorizadores verifica-se que a esquerda, para ser verdadeiramente actual, teria de ser a direita. Porque na concepção pluralista que dizem defender só a direita tem legitimidade para existir politicamente. O resto são velharias. Mesmo José Sócrates, que poderia ter alguns aspectos que a direita valorizasse, é no fundo um arcaico. Porquê? Porque é de esquerda. </p>

<p>Neste contexto há muitas referências ao chamado "guterrismo". Mas será que isto significa alguma coisa? Há um primeiro Guterres cuja actividade arranca com uma importante iniciativa; os Estados Gerais. E que tem um programa amplamente positivo. Há um Guterres que mete os pés pelas mãos na questão da interrupção voluntária da gravidez (ponto em que Alegre ou Sócrates são extremamente claros). Há um Guterres que se desmotiva ao não obter a maioria absoluta e que multiplica truques para sobreviver ("o queijo limiano") e deixa arrastar as questões (a demissão de ministros ou a situação da RTP). O "guterrismo" primeiro tem coerência ideológica. O "guterrismo" final é o desastre em vários episódios. Como emblema ideológico foi perdendo consistência. </p>

<p>Daí que dizer, como faz José António Lima no "Expresso", que a candidatura de Alegre pretende, reunindo "os descontentes, deserdados e desadaptados do PS" (o que é manifestamente um disparate), opor-se ao "guterrismo social-cristão" não faça grande sentido senão no museu dos lugares-comuns. Em certos aspectos, Sócrates está mais à esquerda do que Guterres (em quase tudo o que diz respeito a valores éticos), noutros aspectos está mais à direita. Pode-se mesmo afirmar, como faz Ana Sá Lopes no PÚBLICO, que "Alegre e Sócrates pensam mais ou menos o mesmo sobre as 'questões estruturais'". O que demarca as duas candidaturas é que Sócrates vem do exterior do socialismo para o socialismo, enquanto Alegre vive por dentro a evolução do socialismo. </p>

<p>Ora a questão da memória e do passado não vale como programa para hoje, mas, sim, como ponto de partida que enraíza numa certa tradição da esquerda e que dá uma densidade cultural e doutrinária que Sócrates não parece ter (o que não quer dizer que não haja no programa de Sócrates, o que foi sublinhado por Vital Moreira, pontos positivos - como, por exemplo, a separação da construção civil dos lucros das autarquias). </p>

<p>O essencial consiste em encontrar um critério de discriminação. Tenho sugerido que ele é cada vez mais a questão da liberdade de escolha concreta, em todos os domínios, que se coloca a cada um de nós. Ora a liberdade estritamente económica é o principal inimigo dessa liberdade concreta que a esquerda defende. </p>]]>

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<title>Manuel Alegre na Madeira: um êxito que terá consequências</title>
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<modified>2005-09-25T17:15:46Z</modified>
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<summary type="text/plain">A visita de Manuel Alegre à Madeira atingiu plenamente os objectivos que o candidato se havia proposto. Eis a síntese divulgada pela Rádio Renascença (27-08-04): &quot;Acho que as instituições da República têm sido muito complacentes com as posições tomadas pelo...</summary>
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<![CDATA[<p>A visita de Manuel Alegre à Madeira atingiu plenamente os objectivos que o candidato se havia proposto. Eis  a síntese divulgada pela Rádio Renascença (27-08-04):</p>

<p> "Acho que as instituições da República têm sido muito complacentes com as posições tomadas pelo presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim. Todas as instituições da República, todos os presidentes da República e todos os governos, inclusivamente os do PS", disse Manuel Alegre.<br />
       <br />
Alegre, que falava na sessão de apresentação da sua candidatura aos militantes e simpatizantes socialistas madeirenses, responsabilizou Alberto João Jardim pela falta de clima democrático na Região.<br />
       <br />
O candidato à liderança do PS considerou mesmo que os socialistas madeirenses, ao terem de se bater com Alberto João Jardim e com o PSD-Madeira, têm um dos mais difíceis combates políticos em Portugal e na Europa.<br />
      <br />
Por outro lado, realçou que apesar de a autonomia ser "uma das grandes conquistas do 25 de Abril" esta "é inseparável do Estado de Direito, das liberdades e garantias individuais".<br />
       <br />
"A maneira como aqui [na Madeira] tem sido exercido o poder, desvirtua, perverte e subverte a autonomia", disse Manuel Alegre.<br />
       <br />
O histórico socialista acusou Alberto João Jardim de viver do sistema que há 30 anos diz combater: "Esta situação não é normal na democracia portuguesa, isto é uma deriva da democracia portuguesa". </p>

<p>Disse ainda que não virá à Madeira "dar palmadas nas costas do dr. Jardim ou ceder às primeiras exigências que fizer".<br />
      </p>]]>

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<title>RESPOSTAS DO CANDIDATO ao Correio da Manhã</title>
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<issued>2004-08-28T22:10:13Z</issued>
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<summary type="text/plain">Regista-se aqui a entrevista ao Correio da Manhã em que Manuel Alegre deu resposta a questões relevantes, cujo debate tem plena justificação.Segue-se o texto integral: &quot;Manuel Alegre, candidato a líder do PS, garante que só uma situação de emergência no...</summary>
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<![CDATA[<p>Regista-se aqui a  entrevista ao Correio da Manhã em que Manuel Alegre deu resposta a questões relevantes, cujo debate tem plena justificação.Segue-se o texto integral:</p>

<p>"Manuel Alegre, candidato a líder do PS, garante que só uma situação de emergência no País e no PS o fez entrar na corrida à liderança do partido. Não poupa críticas a José Sócrates, a quem acusa de estar demasiado preocupado com o &#8220;politicamente correcto&#8221;. Lamenta não ter chegado a acordo com João Soares, mas garante que vai até ao fim. Mostra-se também preocupado com o risco de as eleições internas não serem inteiramente justas e promete manter-se atento. 	<br />
Jorge Godinho	<br />
	<br />
Correio da Manhã &#8211; O que o levou a avançar para este desafio nesta altura da sua vida?</p>

<p>Manuel Alegre &#8211; Nunca foi um projecto de vida meu. Foi uma emergência, pela situação do País, da própria democracia e do PS e também, não vou ser hipócrita, pela candidatura do meu camarada José Sócrates, que, em meu entender, deslocou muito o partido e criou um vazio em que muita gente não se sente representada. A candidatura de João Soares já estava anunciada, mas era alternativa a Ferro Rodrigues. As pessoas que estiveram com Ferro, ainda que se situem na área política de João Soares, acham que ele não é suficientemente congregador. Creio que o meu camarada Sócrates, com quem não tenho nenhuma questão pessoal, não tem consistência nem experiência políticas para poder travar um combate destes numa altura destas. Foi até a minha filha mais nova que me disse: &#8216;pai não podes negar o sentido da tua vida&#8217;. </p>

<p>&#8211; Afirmou que nesta eleição está em causa a própria ideia do PS, o que quer dizer?</p>

<p>&#8211; Está em causa o papel do PS não apenas como partido de alternância, mas como um partido alternativo. Uma das coisas que degrada a democracia é as pessoas votarem pela mudança e depois afinal ficar tudo na mesma. Quem vota do PS espera algo de diferente, não apenas no estilo mas no conteúdo das políticas. Sobretudo no conteúdo das políticas sociais, que é o que faz a diferença. </p>

<p>&#8211; E que alternativa é essa que José Sócrates não pode protagonizar?</p>

<p>&#8211; Essa alternativa tem de ser um novo conceito de Estado estratega. Nós aceitamos a economia de mercado, mas o Estado deve ser promotor de serviços públicos que permitem a consolidação das políticas sociais. E deve fazer mudar aquilo que realmente faz mudar: a cultura, a educação, a qualificação das pessoas. Nós somos pela economia de mercado, mas não somos neoliberais. O PS não pode confundir-se com um partido conservador.</p>

<p>&#8211; E acha que José Sócrates vai levar o partido por esse caminho?</p>

<p>&#8211; Não o levaria inteiramente. Não vou dizer que Santana Lopes é igual a José Sócrates. São personalidades distintas, mas nas entrevistas que vi até agora, acho que ele tem a preocupação do politicamente correcto, da imagem, uma preocupação de não chocar.</p>

<p>&#8211; O chamado socialismo moderado?</p>

<p>&#8211; Eu sou um socialista moderado. Eu sou daqueles que em 1975, com o meu camarada Mário Soares, me opus à deriva totalitária da nossa Revolução. Fomos nós que garantimos a liberdade e a democracia. Isso é ser moderado. Ele diz que é um socialista moderno, mas o que é que isso quer dizer? Depois da queda do muro de Berlim e do colapso da União Soviética houve uma grande oportunidade histórica para os partidos socialistas, mas eles não criaram políticas alternativas e em muitos países europeus abriu-se o caminho a correntes populistas de direita. A globalização avançou muito depressa e os socialistas deixaram-se colonizar pelo neoliberalismo. É preciso fazer a diferença.</p>

<p>&#8211; É a sua longa carreira política que vai utilizar como principal argumento junto dos militantes?</p>

<p>&#8211; Os militantes sabem que eu não me candidato por mim. Sabem que estou a fazê-lo por uma certa ideia do PS, pelo País e pela democracia. Sabem que estou a fazer neste momento um sacrifício a todos os pontos de vista e eu, quando travo um combate travo-o com gosto, não vou a feijões. Eles conhecem a minha experiência política que vem da resistência e dos combates pela liberdade já depois do 25 de Abril.</p>

<p>&#8211; Se vencer as eleições será candidato a primeiro-ministro?</p>

<p>&#8211; Eu assumo todas as responsabilidades de acordo com a vontade do partido, embora eu ache que se deva fazer uma reflexão sobre isso. Se ganhar as eleições, conduzirei a batalha contra Pedro Santana Lopes. Nós não podemos entrar num excesso de personalização da política. Os primeiros-ministros não são eleitos nos congressos, nem sequer nas eleições para deputados. Por isso é que Santana Lopes é primeiro-ministro. Um primeiro-ministro que não é líder partidário evita, por exemplo, a governamentalização do partido pelo Governo e permite que o partido mantenha uma certa independência crítica em relação ao Governo. </p>

<p>&#8211; Já tinha dito que não era candidato a secretário-geral, que não era candidato a primeiro-ministro... que outras surpresas podemos esperar? Uma candidatura à presidência da República?</p>

<p>&#8211; Nós nem sempre escolhemos a nossa vida. Se há um ano atrás me tivesse perguntado eu jurava-lhe sobre a Bíblia que não era candidato a secretário-geral. Eu já não digo mais nada, porque fui colocado em circunstância de tal ordem que não ficaria bem comigo mesmo se dissesse que não aos meus camaradas. Eu recebi telefonemas de pessoas a chorar. Tenho pessoas que oferecem as férias para a minha candidatura. Já não digo que não a mais nada. O que digo é que não é obrigatório que o líder do partido seja candidato a primeiro-ministro. O engenheiro José Sócrates não gosta que se diga, mas na candidatura dele também há pessoas com muito melhor perfil para candidato a primeiro-ministro, como António Vitorino ou Jaime Gama.</p>

<p>&#8211; Mas não estaria a minimizar o papel dos militantes?</p>

<p>&#8211; Bem, estas eleições vão servir também como um teste ao PS para percebermos que partido é que temos. Há as estruturas dirigentes, mas depois há 75 mil militantes e essa é a minha preocupação. Quantos é que vão votar? Oiço dizer neste momento que só oito mil é que pagaram as quotas, mesmo que sejam 20 mil não pode ser. Temos de encontrar maneira para que vão votar em massa, senão não haverá uma genuína expressão da vontade democrática do partido. </p>

<p>E também acho muito estranho outra coisa. Como é que, de repente, todas as estruturas partidárias aparecem a apoiar um candidato? Ele diz que não preparou nada, mas toda a gente sabe que, pelo menos alguém por ele andou a preparar a candidatura. </p>

<p>&#8211; Está com medo de que as eleições não sejam justas?</p>

<p>&#8211; Ainda há pouco falei com João Soares porque nós temos preocupações quanto à forma como é feito ou não o pagamento das quotas dos militantes. Em congressos distritais anteriores, sobretudo numa determinada região, houve pessoas que andaram a pagar as quotas dos militantes por eles e isso não pode ser. Vamos estar atentos. Não estou a responsabilizar pessoalmente José Sócrates. Acho que ele tem todo o interesse em disputar isto com transparência e clareza, mas também há muita gente que não alinha com ele por convicção, alinha porque pensa que ele vai ganhar. </p>

<p>&#8211; Já disse que com José Sócrates o partido dará uma guinada de 180º à direita, aconteceu o mesmo com António Guterres?</p>

<p>&#8211; Não. O engenheiro José Sócrates veio da JSD, o que não é pecado nenhum, muitos de nós viemos de outros caminhos, eu e Mário Soares também andámos pelos comunistas... Mas António Guterres é um homem que tinha escola do partido, fez toda a sua formação política no PS desde 74/75. Veio dos meios sociais católicos, tinha uma sensibilidade social muito autêntica. Era um homem mais dialogante, mais aberto, muito mais formado. Era muito jovem mas participou na batalha pela democracia, lembro-me de andar comigo a colar cartazes.</p>

<p>&#8211; Por que é tão crítico em relação a José Sócrates e não a João Soares?</p>

<p>&#8211; João Soares é da minha família política. É filho de um dos meus melhores amigos. Já o meu avô andou nas lutas pela república com o avô dele.</p>

<p>&#8211; Então o que os distingue nesta candidatura?</p>

<p>&#8211; Primeiro, ele apresentou a candidatura contra Ferro Rodrigues e eu estava com ele. Depois constatei que muitas das pessoas que me apoiam não se reviam na candidatura dele, não era suficientemente apelativa e abrangente e isso a culpa não é minha. Agora, a ideia de partido e algumas concepções fundamentais do socialismo democrático as diferenças não são abissais.</p>

<p>&#8211; Desistir está fora de questão?</p>

<p>&#8211; Está fora de questão. </p>

<p>&#8211; Mas indo os dois a votos, não estão a dar vantagem a José Sócrates?</p>

<p>&#8211; De certa maneira sim, mas, como diria António Guterres, é a vida. Houve uma tentativa de chegarmos a acordo. Falámos diversas vezes, mas ele mantém o propósito de levar a candidatura até ao fim e tem mérito nisso. Temos afinidades quanto à ideia de partido, vamos ver depois no Congresso. Agora a votos vamos separados com certeza.</p>

<p>&#8211; Se não vencer está disponível para trabalhar com João Soares ou José Sócrates?</p>

<p>&#8211; Com João Soares com certeza. Com José Sócrates depende. Depende de como correr o congresso. Ele já deve ter percebido que não congregou figuras fundamentais do PS, além de mim. Não vou abdicar das minhas ideias. E vou meditar muito, a minha vida tem de ter um sentido, não vou dar a minha caução a um partido desvirtuado. </p>

<p>'FERRO SERIA MELHOR PRIMEIRO-MINISTRO QUE LÍDER DA OPOSIÇÃO'</p>

<p>Manuel Alegre ainda lamenta a demissão de Ferro Rodrigues da liderança do partido e garante que estaria ao seu lado até hoje. &#8220;Estive com ele e estaria até ao fim&#8221;, afirma, &#8220;estou convencido de que seria melhor primeiro-ministro do que foi líder da oposição&#8221;.</p>

<p>Embora reconheça que o ex-secretário-geral do PS &#8220;afunilou&#8221; o partido e não fez a reforma necessária do sistema, considera que Ferro Rodrigues &#8220;foi um bom ministro e como primeiro-ministro marcaria a diferença&#8221;. Algo que, em sua opinião, não é inédito na política portuguesa. &#8220;Há pessoas que se revelam melhores primeiros-ministros que líderes partidários. Durão Barroso, por exemplo, ou o próprio Cavaco Silva&#8221;.</p>

<p>Por isso mesmo mostra-se satisfeito com o apoio dos chamados &#8220;ferristas&#8221;. Um grupo que se uniu para apresentar apenas uma moção ao congresso, marcado para o início de Outubro, e que acabou por apoiar a sua candidatura. Desse grupo faziam parte Paulo Pedroso e Vieira da Silva, mas nem um nem outro surgiu a seu lado.</p>

<p>Manuel Alegre justifica a ausência de Paulo Pedroso com a necessidade de o deputado passar agora por uma fase mais discreta na sua carreira política devido ao processo da Casa Pia. Já Vieira da Silva, o candidato lembra que é um dos responsáveis pela organização do Congresso, &#8220;é natural que queira manter a sua independência&#8221;.</p>

<p>CM-3 de Agosto 2004</p>]]>

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<title>Alegre e Sócrates: para além das palavras, por Vicente Jorge Silva</title>
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<issued>2004-08-28T00:23:21Z</issued>
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<summary type="text/plain">A questão, com Manuel Alegre, é de vontade e ambição efectivas para ser algo mais do que a representação simbólica de um protesto moral.</summary>
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<name>Manuel Alegre</name>


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<![CDATA[<p>Ainda não tive oportunidade de conhecer as moções que Manuel Alegre e José Sócrates apresentaram esta semana ao Congresso do PS. No entanto, sem prejuízo de uma futura reflexão sobre essas moções, o significado político das duas candidaturas não depende da natureza dos textos apresentados.<br />
Prezo muito o valor das palavras, mas a verdade é que os compromissos escritos em política se encontram cada vez mais condicionados pela personalidade de quem os assume. É uma das consequências da crise das ideologias que se acentuou depois da queda do muro de Berlim e de que os partidos de esquerda, especialmente na Europa, estão longe de conseguir superar.<br />
Não desvalorizo a importância das moções e dos programas políticos num debate democrático (por muito pouco participado que este seja). Limito-me a constatar apenas que, no estado actual das democracias, a fidelidade política implica uma relação de confiança pessoal (que pode ser genuína ou meramente interesseira) entre os candidatos a uma eleição e os respectivos eleitores. A personalização das preferências políticas funciona, é certo, para o melhor e para o pior (sem esquecer, neste ponto, as derivas populistas e demagógicas). Mas seria hipócrita pretender que esse factor não é cada vez mais determinante nas escolhas eleitorais.<br />
Ainda há pouco tempo, discutiu-se vivamente em Portugal a legitimidade da substituição de Durão Barroso por Santana Lopes na chefia do Governo. Embora apoiado numa mesma maioria parlamentar e respeitando formalmente as bases programáticas do anterior Executivo, Santana não se submetera a uma eleição ?personalizada? para o cargo que viria a ocupar. Estava, pois, em causa o protagonismo do candidato a primeiro-ministro nas eleições legislativas (apesar de nestas se votarem em partidos e não em personalidades).<br />
É evidente que as preferências e opções políticas (dentro de um partido ou numa disputa envolvendo vários partidos) não são estranhas a pressupostos ideológicos e programáticos com que os eleitores se identificam. Com excepção do eleitorado flutuante do centro - que, todavia, acaba por ser a chave do poder nos sufrágios mais disputados -, as fidelidades e fixações político-partidárias continuam a desempenhar um papel decisivo nas escolhas eleitorais. Só que a influência do factor pessoal, acentuada pela mediatização intensa da vida política, tem vindo a remeter os compromissos escritos, chamem-se eles moções ou programas, a uma função puramente instrumental e quase retórica num debate democrático que, por via disso, se converteu, sobretudo, em duelos de personalidades (e de imagens). É o que acontece também agora no PS.<br />
Para além das moções, o que conta sobretudo é a imagem que cada personalidade se propõe representar e o modo como a representa. Não por acaso, uma parte substancial do debate tem vindo a centrar-se na forma como cada um dos dois candidatos principais se posiciona face ao exercício do poder dentro do partido e na chefia de um futuro governo socialista. Esse é, à partida, um dos trunfos de José Sócrates e um dos pontos mais vulneráveis da candidatura de Manuel Alegre. Sócrates não esconde que o primeiro objectivo (a liderança partidária) é fundamentalmente um meio para alcançar o segundo (a chefia do governo), enquanto Alegre insiste em separá-los, de forma não verdadeiramente convincente.<br />
Sócrates subordina tudo ao seu projecto de poder, propondo-se mesmo desafiar a quadratura do círculo: diz querer um partido renovado e aberto ao exterior, embora não tenha hesitado em negociar os seus principais apoios no interior de um aparelho partidário que, ao longo dos tempos, tem frustrado qualquer veleidade de renovação e abertura. É contra esse aparelho que Alegre declara a sua "insubmissão", apostando num sobressalto dos militantes anónimos que, segundo ele, constituem a alma do PS.<br />
Mas Alegre é um candidato reservado e relutante na sua relação com o poder e é sobretudo isso que o leva a separar as candidaturas a secretário-geral e a primeiro-ministro. Ei-lo condenado, assim, a representar o papel de combatente romântico e guardião do templo dos princípios socialistas, face ao "realismo" pragmático e voraz do seu adversário, disposto a todas as convergências e convivências para atingir o seu objectivo. Para José Sócrates, não há meios que não justifiquem os fins.<br />
A atracção voluptuosa do poder fez concentrar na candidatura de Sócrates um autêntico albergue espanhol de tendências e personalidades vindas dos mais diversos quadrantes. O antigo "enfant-terrible" Sérgio Sousa Pinto, que tantas dores de cabeça deu a António Guterres, aparece como principal "maître-à-penser" do mais dilecto herdeiro do guterrismo e autor da sua moção. Contraditório? Inverosímil? Quem cuida disso? Sousa Pinto convive, sem aparentes estados de alma, com as personagens mais castiças do aparelho partidário, sem esquecer alguns dos seus adversários mais ferozes na já esquecida (ou puramente instrumental?) polémica sobre o aborto. Quem se recorda do protagonismo que então assumiu - e lhe valeu, de resto, um passaporte dourado para o Parlamento Europeu?<br />
Evidentemente, pouco importa o conteúdo da moção que Sousa Pinto escreveu para José Sócrates. Ou importa apenas na medida em que a sua marca "de esquerda" e a sua alegada "modernidade" funcionam como álibi para quem dele precisava para compensar eventuais problemas de consciência. O verdadeiro pólo de atracção da candidatura de Sócrates é a maior solidez das garantias que aparentemente fornece aos aspirantes ao exercício do poder. Tem com ele o aparelho do partido e o favor da exposição mdiática - por mais artificial e plastificada que seja a sua imagem -, além de ter sido lançado por Emídio Rangel como reverso de Santana Lopes. Mais do que isso: corresponde ao perfil "bloco central" que melhor se adequa ao rotativismo do sistema partidário. O jogo dos interesses que circulam dentro desse sistema está assim assegurado.<br />
Ora, Manuel Alegre oferece como contraponto a esta imagem uma outra consistência ética e uma personalidade de muito maior envergadura cívica. Mas tem desde logo contra si o facto de aparecer como representando sobretudo isso - e a já referida relutância em assumir pessoalmente um projecto alternativo de poder. Em Alegre, o que fundamentalmente conta é a atitude reactiva ao arrivismo socrático, o simbolismo de um gesto de inconformidade perante as "combines" inconfessáveis do aparelho partidário, o romantismo da atitude dos que não se rendem à fatalidade dos vencedores anunciados antes do combate. Alegre, aliás, pareceu dar-se por satisfeito quando afirmou, durante a entrega da sua moção, que "esta candidatura já cumpriu o seu papel" e "já ganhou", ao despertar um partido "que estava adormecido". Bastará isso, porém, para compensar a efectiva relação de forças entre "realismo" e "romantismo" dentro do PS - e dar sentido positivo, prático e ofensivo à candidatura de Alegre?<br />
A questão, com Manuel Alegre, é de vontade e ambição efectivas para ser algo mais do que a representação simbólica de um protesto moral. Percebo perfeitamente que ele não se sinta vocacionado para assumir uma alternativa de poder consequente no PS e admiro o garbo quixotesco com que entrou num combate em defesa de princípios e valores do socialismo democrático (combate para o qual, recorde-se, não existiam outros candidatos disponíveis). Mas não deixa de ser um sinal melancólico dos actuais tempos políticos que quem se mostra mais merecedor da nossa confiança não nos apresente um motivo mais substantivo para apoiá-lo do que uma última trincheira de resistência aristocrática ao oportunismo sem princípios dos "parvenus" do poder.</p>

<p>Opinião publicada no Diário Económico, de 27 de Agosto <br />
</p>]]>

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<title>Boaventura de Sousa Santos sobre a candidatura de Manuel Alegre</title>
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<issued>2004-08-28T00:17:21Z</issued>
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<summary type="text/plain">A candidatura de Manuel Alegre a secretário-geral do PS é, ao contrário da dos seus rivais, um acontecimento político</summary>
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<name>Manuel Alegre</name>


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<![CDATA[<p> <br />
A candidatura de Manuel Alegre a secretário-geral do PS é, ao contrário da dos seus rivais, um acontecimento político. A candidatura de José Sócrates é um acontecimento burocrático, o aparelho partidário a procurar sobreviver da única maneira que conhece: através de quem lhe assegura a continuidade. A candidatura de João Soares é um acontecimento pessoal, uma inconformidade quixotesca contra a fatalidade de o pai o ter precedido. É certo que há Bush 1 e Bush 2, mas isso é nos EUA onde, como diz Gore Vidal, em vez de democracia, há uma república dominada pelo dinheiro. A candidatura de Manuel Alegre é um acontecimento político porque lhe preside uma intenção política, a de virar o PS à esquerda, e um projecto político, o de, conjuntamente com outras forças de esquerda, oferecer ao país a alternativa de que carece para garantir o seu florescimento numa UE crescentemente exigente e competitiva.<br />
Esta intenção e este projecto implicam uma reinvenção do PS. As vicissitudes do 25 de Abril dispensaram o PS de formular um projecto de esquerda. Protagonista, em 1975, da luta contra a aventura autoritária do PCP, o PS bastou-se com um projecto de democracia para o país, o que não foi pouco no contexto em que então se vivia. Durante alguns anos este projecto confundiu-se com um projecto de esquerda democrática, por falta de uma alternativa PCP e pela confusão ideológica da própria direita. Em meados de 80, a direita assumiu o seu papel e, a partir daí, o PS passou a estar à esquerda da direita sem ter de ser necessariamente de esquerda. Foi então que da alternativa (que verdadeiramente nunca existiu) se passou à alternância, uma passagem que o Governo Guterres assumiu por inteiro, tal como o faria um eventual governo de José Sócrates. Porém, esta passagem nunca foi totalmente assumida no seio do PS, já que alguns sectores continuaram a ver nela, não a garantia da sobrevivência do PS, mas antes o perigo da extinção deste. A credibilidade desta suposição aumentou recentemente quando um PS atónito verificou que, pela primeira vez em 30 anos, não tinha um amigo na presidência da república e que, portanto, a hegemonia da direita poderá estar de tal modo implantada que dispense a alternância. É desta convicção que parte a candidatura de Manuel Alegre.<br />
São duas as razões principais que podem levar o PS a perder o jogo da alternância. A primeira é que a direita portuguesa tem uma longa experiência histórica, não é burra e, em sua fase democrática, vem construindo há 20 anos um projecto de governabilidade que só ela sabe manejar com competência. A segunda razão é que este projecto – incapaz de se libertar inteiramente do fantasma de Salazar – garante a sobrevivência medíocre de Portugal na UE mas torna impossível o seu florescimento num contexto exigente e moderno. Os Portugueses não estão conformados com esse destino e, como a alternância se dá no seio dele, buscam não a alternância, mas a alternativa. Essa alternativa é, por enquanto, embriónica mas está a ser construída, fora do PS, a dois níveis. Por um lado, com a emergência do Bloco de Esquerda e o seu êxito eleitoral. Por outro lado, com a renovação por que está a passar, a nível local, um PCP, aparentemente estagnado a nível nacional. Algumas das experiências da democracia participativa mais consistentes ocorrem em autarquias comunistas, e é aí que se pode estar a forjar uma nova cidadania inconformada com a mediocridade e a corrupção. Tendo a intuição que o jogo de alternância pode estar perdido, Manuel Alegre aposta na alternativa, esperando que não seja tarde de mais. Não o é certamente para o país, mas sê-lo-á para o PS?</p>

<p> <br />
   (artigo publicado na revista Visão em 12 de Agosto de 2004) </p>

<p>   <br />
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<title>Eduardo Prado Coelho: razões de um apoio</title>
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<summary type="text/plain">No âmbito das opções que se colocam ao Partido Socialista neste momento, a minha escolha e o meu campo são aqueles que aparecem representados por Manuel Alegre. </summary>
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<![CDATA[<p>Ao escrever esta crónica, creio que é necessário começar por dizer que, no âmbito das opções que se colocam ao Partido Socialista neste momento, a minha escolha e o meu campo são aqueles que aparecem representados por Manuel Alegre. Sem hesitações, nem estados de alma. Claramente. Não é que não veja que José Sócrates tem neste momento inúmeras condições para vencer e que os militantes de base se preparam para lhe dar uma vitória explícita. Vejo também - e este é o argumento pragmático mais frequentemente invocado - que Sócrates poderá ser o adversário mais eficaz em relação a Pedro Santana Lopes. Entre os seus apoiantes conta-se gente de grande qualidade, capaz de formar um governo sólido e consistente. E por conseguinte Sócrates poderá aparecer como a personagem mais bem colocada para vencer a direita populista. A não ser que - e esta reserva tem inequívoco peso - os eleitores achem que há demasiados pontos de contacto entre o PSD e este PS e considerem que não vale a pena mudar para algo que está próximo. Pode acontecer. </p>

<p>Pode também suceder que a sequência de erros e desaires do Governo Santana Lopes seja de tal modo clamorosa que seja mais por motivos de estilo, caos e ridículo que a mudança se torna desejada. </p>

<p>Antóno Mexia fez bem em manter Fernando Pinto à frente da TAP. O modo como o fez é que foi completamente desastrado: através de uma fuga de informação. Nobre Guedes tem-se mostrado completamente irrequieto e infantil nas declarações em que se multiplicou. Paulo Portas terá em breve que utilizar submarinos no combate aos incêndios. A saga dos secretários de Estado deslocalizados tem uma ilustração saborosa na guerra entre Santarém e a Golegã. Escolhida esta última, que verificamos? Que reina grande alegria, porque o secretário de Estado da Agricultura disse à dona do café que com a nova Secretaria de Estado teria de aumentar as instalações... Razão tinha "O Inimigo Público", quando imaginava um cidadão da província chegar à sua morada e encontrar na casa de jantar as novas instalações de uma Secretaria de Estado deslocalizada. </p>

<p>Mas entre o formalismo de um nacionalismo partidário (recuperar os símbolos e a retórica antifascista) defendido por João Soares e o socialismo evanescente que parece ressaltar das intervenções de José Sócrates (apesar do enorme esforço para dar espessura às suas concepções ideológicas), Manuel Alegre tem outra memória, outra cultura, outra dignidade e outra força. Podemos dizer que ele representa um certo sector minoritário dentro do PS. Que importa? Em casa dos meus pais havia uma velha empregada que não ia votar porque não sabia quem é que ganhava. O que Manuel Alegre representa dentro do PS não se contabiliza. Podemos pensar que João Cravinho ou Manuel Maria Carrillho são mais "modernos" no discurso. Mas nem a oposição moderno "vs" arcaico, nem moderado "vs" radical são suficientes para enquadrar a formulação daquilo que hoje aparece como essencial para um projecto de esquerda. </p>

<p>Embora os disparates da direita convidem à preguiça, esta é uma ocasião essencial para pretender ir mais longe numa ideia de conjunto para o Portugal europeu dos nossos dias. <br />
 </p>

<p>  <br />
EDUARDO PRADO COELHO, Público,<br />
Segunda-feira, 09 de Agosto de 2004 <br />
</p>]]>

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<title>Código do Trabalho</title>
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<summary type="text/plain">Respondo a uma pergunta colocada por Egídio, sobre a posição de Manuel Alegre àcerca do Código do Trabalho. No discurso de apresentação da sua candidatura, foi um dos pontos salientados: &quot;Não aceitamos o desequilíbrio sistemático das leis laborais em desfavor...</summary>
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<![CDATA[<p>Respondo a uma pergunta colocada por Egídio, sobre a posição de Manuel Alegre àcerca do Código do Trabalho. No discurso de apresentação da sua candidatura, foi um dos pontos salientados:<br />
<strong>"Não aceitamos o desequilíbrio sistemático das leis laborais em desfavor dos trabalhadores"</strong>.Também na Moção se desenvolve a matéria, salientando que o Código do Trabalho "deixa 70% dos trabalhadores reduzidos aos seus direitos mínimos", o que para um socialista é inaceitável. Penso que ao longo da campanha haverá condições para explicitar ainda melhor esta questão. Estejam atentos ao que vai saindo no site. <br />
Helena Roseta</p>]]>

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<title>carta aberta a António Costa</title>
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<summary type="text/plain">De: Wanda Guimarães* CARTA ABERTA A ANTÓNIO COSTA &amp;#8220;OS BARÕES E OS CIDADÃOS&amp;#8221; Meu Caro António, Longe vão os tempos em que a Elisa Damião e eu te chamávamos o &amp;#8220;puto&amp;#8221;. Com muita ternura. Eras nessa altura um jovem promissor,...</summary>
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<![CDATA[<p>De: Wanda Guimarães*</p>

<p>CARTA ABERTA A ANTÓNIO COSTA</p>

<p><br />
&#8220;OS BARÕES E OS CIDADÃOS&#8221;</p>

<p><br />
Meu Caro António,</p>

<p>Longe vão os tempos em que a Elisa Damião e eu te chamávamos o &#8220;puto&#8221;. Com muita ternura. Eras nessa altura um jovem promissor, inteligente, idealista e cheio de garra que arrasavas corações na Faculdade de Direito. Com amizade segui sempre de perto o teu percurso e a tua carreira política. Hoje és um quadro de relevo, deputado europeu, membro da Comissão Política e da Nacional do Partido Socialista e inúmeras vezes apontado como um seu possível secretário geral. Sempre estivemos do mesmo lado mesmo quando eu já não estava na política activa e me centrava apenas no mundo sindical. Como sabes, só me fez sentido militar, partidariamente, primeiro com Vítor Constâncio, depois com Jorge Sampaio e contigo na FAUL. Confesso que nunca achei muito aliciante ou motivador o chamado período &#8220;guterrista&#8221;. Reconheço que lhe devemos algumas coisas importantes mas quanto a resultados políticos para o Partido entendo que foi &#8220;match nulo&#8221; - uma vitória (finalmente) e uma derrota (como corolário da sua saída do governo).</p>

<p>O poder pode muito e é muito sedutor mas não chegou para disfarçar a desoladora realidade: uma espécie de &#8220;novo riquismo político&#8221; a emergir, o reforço da mentalidade e dos comportamentos &#8220;aparelhísticos&#8221;,  o desleixo do debate político, a desvalorização da ideologia, o vazio das ideias e a completa subalternização dos militantes, para ser simpática e só falar no mais evidente. No entanto teve uma vantagem (terá sido mesmo uma vantagem?) a de reunir num mesmo governo alguns bons quadros oriundos de diversas &#8220;sensibilidades&#8221; que tinham coexistido até então num clima de alguma fricção (fraterna). Assim chegaste a ministro de Portugal e actualmente és, não um, mas o responsável pela nossa lista no Parlamento Europeu.</p>

<p>Ou seja, com o teu percurso também tens uma quota parte de responsabilidade por aquilo que de bom e de mau (o politicamente correcto seria dizer menos bom!) se tem feito no Partido Socialista. Chegado aqui, deves estar a interrogar-te sobre o porquê desta introdução. Vem tudo a propósito do teu artigo &#8220;Um debate sem mistificações&#8221; que saiu no &#8220;Público&#8221;, na passada terça-feira, 17 de Agosto, no qual quiseste puxar as orelhas a alguém ou a alguns e acabaste a puxar ... as tuas e que, além disso, assinaste como simples militante.</p>

<p>É que simples militante sou eu! Percebo que tenhas querido recorrer a essa qualidade mas és um quadro importante do Partido e quer gostes quer não gostes, fazes parte daquilo que na gíria os militantes anónimos chamam &#8220;os notáveis, &#8220;os barões&#8221;, nem sempre com o afecto com que te estou a escrever.  </p>

<p>Eis-nos, portanto, ao fim de todos estes anos, cada um do seu lado, posicionados de maneira diferente. Embora remetendo-me à minha insignificância actual nas estruturas de decisão e de  poder do partido não posso deixar de lembrar que nas urnas o teu voto vale tanto como o meu. E no fundo é disso que te queria falar.</p>

<p>Uma crise de identidade não é nenhuma vergonha nem tão pouco forçosamente mau, como nos querem fazer crer. O que é nefasto, é não perceber que o mundo mudou, mudou muito e continua a mudar quer queiramos quer não. Até nós mudamos. Meter a cabeça na areia e fingir que está tudo na mesma apenas porque pensamos, numa visão pretensamente utilitária, que serve de imediato os nossos objectivos é a pior resposta que se pode dar. O drama, para nós militantes, é que a candidatura que apoias acha que já tem todas as respostas sem se dar ao trabalho de colocar as perguntas.<br />
 <br />
Se o fizerem vão perceber que as ideologias não estão ultrapassadas nem pertencem ao passado, são o futuro dos partidos vencedores. Vão perceber que as pessoas estão sedentas por poderem participar num projecto, num projecto mobilizador. Cabe ao Partido Socialista este papel. Por favor, não deixem esse espaço apenas ao futebol! Recoloquem a Política no lugar que ela merece.</p>

<p>Afirmas que o que nos divide não são os princípios, nem os objectivos. Não tenho tanto essa certeza. Talvez no que toca não aos objectivos, mas ao principal objectivo &#8211;derrotar a direita &#8211; tenhas razão; mas quanto aos outros, não, nomeadamente, quanto à necessidade de termos o P.S. de volta (se leres esta carta até ao fim, como espero, compreenderás o sentido desta expressão).</p>

<p>Sabes o que nos divide? A definição das prioridades. Na nossa vida pessoal como na política, as diferenças são estimulantes e o que constitui factor de distanciamento entre pessoas ou projectos é a elencagem das prioridades e o respectivo lugar que ocupam. E se estamos de acordo que a esquerda não pode renunciar à responsabilidade de governar, porventura, discordamos se o preço a pagar for excessivo. Não aceito que a responsabilidade de governar implique a descaracterização, ou se preferires um termo mais &#8220;soft&#8221;, a maquilhagem do Partido. Direi mesmo, que se este for o preço a pagar prefiro perder com dignidade socialista, convicta que será muito mais útil para Portugal e para os cidadãos deste país poderem contar, para os defender, com um Partido Socialista de verdade, moderno, actuante e solidário, sem receio de fantasmas ou de se recolocar à esquerda.</p>

<p>Era bom de facto que, como defendes &#8220;de uma vez por todas, todos se habituassem à saudável convivência democrática&#8221;, mas não chega proclamá-lo e depois fazer exactamente o contrário. O teu artigo é mesmo o melhor exemplo para evidenciar que entre a teoria e a prática o abismo é vertiginoso. Porque é de prática e de comportamentos que estamos a tratar. O que preconizas, uma verdadeira convivência democrática, só pode existir se cada um de nós, interiormente, tiver a capacidade, o discernimento e a humildade de aceitar a diferença, que é um bem que nesta campanha me está a parecer escasso, a começar por ti. A verdadeira arrogância consiste na manipulação de uma suposta &#8220;verdade absoluta&#8221;, negando a terceiros a possibilidade de acreditarem numa distinta.</p>

<p>Por fim, afirmas que &#8220;num partido laico e republicano, não há guardiães do templo, nem barões. Só há cidadãos&#8221;. Já agora também existem militantes (eu sei que os militantes são primeiro cidadãos mas também não esqueço que nem todos os cidadãos são militantes). Mas não é esse o cerne da questão. </p>

<p>Meu caro António, conhecendo tu a actual situação do Partido, só é possível produzir uma frase como esta por mero ardor literário. Há barões, claro que os há e guardiões dos templos e guardiões dos interesses e mercadores de favores e muitas outras modalidades que, infelizmente no PS, como nos outros partidos têm proliferado. Negar a evidência é desistir de mudar e desistir de mudar é resignar-se.</p>

<p>Para mim a palavra resignação não cabe no léxico socialista. Porque, no meu conceito, ser socialista pressupõe uma disponibilidade total para não fazer de conta, para não aceitar só porque é fácil ou porque rende mais ou porque se ganha mas sim lutar pelo que é genuíno ainda que difícil, por uma mudança partilhada e construída por todos.</p>

<p>É, fundamentalmente, por estas razões e em nome destes ideais/objectivos que só poderia apoiar o Manuel Alegre. Não fazia, para mim, o menor sentido, renegar aquilo que tentei, coerentemente, preservar nas minhas escolhas ao longo da vida: que são as pessoas com passado, ideais e convicções, pessoas que nunca desistem da luta, sobretudo, quando ela é difícil que nos permitem numa visão de esperança, acreditar.</p>

<p>É de facto insólito que alguns que não gostaram/criticaram a decisão do Presidente da República de não convocar eleições, argumentando que era pouco democrático que uns tantos &#8220;barões&#8221; do PSD (há-os em todos os partidos) escolhessem o futuro Primeiro Ministro quando essa responsabilidade caberia por direito ao Povo Português, achem agora de uma total normalidade democrática, que &#8220;x&#8221; membros (somando todos os responsáveis do PS a nível nacional, incluindo o aparelho e as federações, serão quantos, mil?), se substituam à totalidade dos militantes, indicando à partida um vencedor.</p>

<p>Se subtrairmos esse hipotético número ao total dos militantes anónimos teremos qualquer coisa como 76.000 votos, ou seja 76 vezes mais. È por isso da mais elementar sensatez, de vez em quando descerem à terra e deixarem os militantes decidirem. Um/a militante um voto. Nem mais.</p>

<p><br />
Dêem-nos oportunidade de participar. Partilhem das nossas angústias e preocupações, aprendam a ser humildes e a ouvir. Oiçam a voz dos militantes e das pessoas em geral. Cada uma representa uma história de vida e tem algo importante para transmitir. Aprendam a valorizar os/as que lutam todos os dias por uma vida melhor, os/as que pouco ou nada possuem a não ser a sua vontade e as suas convicções que com muito empenho e amor colocam ao serviço do Partido socialista e das pessoas.<br />
 <br />
Porquê? Porque acreditam. Porque acreditam num projecto. Poderá talvez parecer estranho para alguns, mas é verdade. Acreditam que é possível construir uma sociedade mais feliz e equilibrada mas sobretudo acreditam que o seu modesto contributo é importante para a sua concretização. Nós, com o Manuel Alegre acreditamos. </p>

<p><br />
Cascais, 22 de Agosto de 2004   </p>

<p>  <br />
* sindicalista, militante de base do PS				<br />
</p>]]>

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